Heartcatch Precure!

Qwerty: Este é o primeiro de uma série de artigos feitos por pessoas que não necessariamente são membros deste blog; e nada melhor para começar esta seção que primará por dar opiniões e pontos de vista que por algum motivo sejam diferentes dos da minha pessoa que a @hakeru_chan, grande fã da franquia PreCure e famosa por ser fã dessas fofuras – além de fazer shipping em diversas obras, particularmente seu tão amado NaruHina. Ela também escreveu alguns Semanada para o Chuva de Nanquim. O artigo está delicioso de se ler, espero que curtam – e recepcionem bem esta primeira convidada.

Logo da série.

Pensem numa série de mahou shoujo de sucesso. Sailor Moon, adivinhei? Mesmo sendo uma série antiga, é sinônimo de “garotas mágicas” até hoje não só no Brasil mas em boa parte do mundo.

Exceto no Japão, aonde a árvore que saiu Sailor Moon já deu outros frutos. E não estou falando de Sakura Card Captors mas sim de uma das séries mais rentáveis para a Toei Animation, Bandai e demais licenciadores nos últimos oito anos: Pretty Cure.

Os críticos com certeza já tem na ponta da língua argumentos como “é apenas um anime comercial, criado para vender bonequinhas e encher as prateleiras de produtos licenciados como tempero pra arroz e papel higiênico”. E eles estão certos [até na parte do papel higiênico, mas isso é outra história]. Mas nada impede que mesmo um anime criado para vender brinquedos tenha um enredo interessante e personagens cativantes, certo?

Tsubomi e Erika, duas boas amigas.

E é o que acontece com a série Pretty Cure. Partindo da premissa básica de garotas escolhidas para receber poderes mágicos e salvar o mundo das forças do mal, a Toei Animation criou até agora oito temporadas [sendo que duas são continuações diretas das anteriores]; cada uma com seu respectivo grupo de guerreiras, mascotes e vilões. Cada temporada também tem seu próprio longa-metragem e existem três filmes que juntam todas as guerreiras contra um inimigo muito mais poderoso.

Aqui fala meu lado de fã, não só de Pretty Cure, mas como de animes em geral: na época em que acompanhava Cavaleiros do Zodíaco, eu pensava como seria legal vê-los lutando junto com o pessoal de YuYu Hakusho por exemplo [delírio de espectadora mirim, me deixem, rs]. Assim, ao juntar todas as guerreiras em alguns filmes, Pretty Cure realiza esse meu sonho de crossover. Se eu que já não sou uma menininha de 7 anos de idade adoro essa ideia, que dirão as várias criancinhas que lotam os cinemas do Japão a cada filme.

Os fofos mascotes, Chypre e Coffret.

Voltando ao assunto principal, Pretty Cure – ou Precure como os japoneses chamam – é uma série que deu e dá muito certo no Japão. E chama a atenção também no Brasil, principalmente quando são publicados os índices de audiência dos animes. Ali, sempre no meio, está alguma das temporadas de Precure, na casa dos 5 pontos ou mais, muitas das vezes deixando Naruto, Pokémon e outros animes consagrados para trás.

Mas mesmo aparecendo constantemente nos rankings de audiência, os fansubs, inclusive americanos, nunca deram a devida atenção para série. Sempre se ouvia falar de Pretty Cure, mas poder comprovar a qualidade da série era difícil. Até o ano passado, havia somente duas temporadas completamente legendadas [e uma delas dublada em inglês]. A situação mudou completamente com a temporada de 2010, da qual vamos falar agora.

CURE BLOSSOM!

Heartcatch Precure, elas vão pegar o seu coração!

Eu juro que estou tentando ser imparcial nesse texto e falar como ao menos uma razoável crítica de animes. Mas é complicado quando se vai falar de algo que se gosta. O subtítulo nada mais é do que a verdade, além de ser o lema das heroínas da temporada Heartcatch: quando você menos espera, elas já pegaram o seu coração e você não consegue desgrudar da série até assistir tudo. E agradeça aos céus se você resistir ao impulso de comprar algum item relacionado; é quase impossível. Só isso já mostra a força de merchandising que a série tem.

Heartcacth Precure com seus 49 episódios foi a primeira temporada a receber total atenção dos fansubs, sendo legendada conforme a série era exibida na TV Asahi – inclusive em português. Isso ajudou a aumentar a fanbase de Pretty Cure em outros países e influenciou os fansubs a retomar o trabalho nas temporadas anteriores que haviam sido deixadas de lado.

A sétima temporada das lendárias guerreiras Pretty Cure começa diferente das anteriores: a primeira heroína a aparecer não é a “líder” das guerreiras e nem a que vai introduzir a história. Outra diferença é que a primeira garota a descobrir os seus poderes não é a menina cheia de energia e ligeiramente sem-noção, uma marca das “líderes” anteriores.

Porque luta em mahou shoujo se resolve na porrada, oras.

O primeiro episódio começa com uma intensa batalha entre uma Pretty Cure de cabelos lilás e vestimenta branca e outra de vestido preto com uma única asa negra nas costas. Cure Moonlight, a guerreira de cabelo lilás está protegendo a Árvore do Coração dos ataques da Dark Precure. A batalha termina com a derrota de Cure Moonlight e seu desaparecimento; porém, antes de ser derrotada, Moonlight pede a duas fadas, Chypre e Coffret, que entreguem o Perfume do Coração [o item de transformação] para a próxima Pretty Cure, que irá proteger e fazer renascer a Árvore do Coração.

Tudo isso é mostrado em sonho para Tsubomi Hanasaki, uma menina de óculos, tímida, com pouca autoconfiança e recém-chegada na cidade de Kibougahana. Sem entender o significado do sonho, ela chega ao novo colégio decidida a mudar sua personalidade e se torna amiga de Erika Kurumi, uma menina extrovertida, divertida e cheia de vigor, exatamente o seu oposto.

É quando Tsubomi encontra Chypre e Coffret, que estão fugindo de Sasorina, uma das servas dos Mensageiros do Deserto [os vilões da história]. Sasorina então ataca a amiga de Tsubomi, Erika, e explica que os Mensageiros do Deserto se apropriam das Flores do Coração das pessoas quando elas estão murchas, por motivos como tristeza, inveja ou raiva. Tomando a flor do coração de Erika, que estava sentindo inveja de sua irmã, a vilã prende a menina em uma bola de cristal. E com a flor murcha, cria o monstro que aparecerá por toda a temporada, cada vez que uma pessoa tem a sua flor do coração roubada: um Desertrian.

Itsuki Myoudouin, o belo presidente do grêmio e um dos personagens do núcleo da escola...

Tsubomi não sabe o que fazer, só tem certeza que quer proteger a sua amiga. E quando a menina diz em alta voz “eu já tive o bastante!”, o Perfume do Coração que está com Chypre reage à vontade do coração de Tsubomi, indicando que ela tem os requisitos para ser uma Pretty Cure. Mesmo assustada, Tsubomi segue as ordens de Chypre – que a “ensina” o que ela deve fazer – e se transforma em Cure Blossom, “a flor que se espalha por toda a terra”.

Mas justamente por ser tão diferente do que se poderia chamar de uma guerreira destemida, Cure Blossom acaba sendo derrotada, e precisa de uma segunda transformação para ser capaz de derrotar o Desertrian e salvar sua amiga. Com Erika em segurança, uma Semente do Coração é liberada e as fadas explicam que as sementes são o resultado da purificação das Flores do Coração e que aos poucos elas ajudarão a recuperar a Árvore do Coração.

A própria Erika é a segunda receber os poderes de lendária guerreira Pretty Cure, ao externar sua vontade de proteger as Flores do Coração de todos. Dessa vez, é Coffret que lhe entrega o Perfume do Coração e Erika se junta à Tsubomi para ajudar uma amiga da escola do clube de futebol que teve sua Flor do Coração roubada. Erika então se transforma na “flor balançada pelos ventos do mar”, Cure Marine.

O vilão da série e a misteriosa Precure que aparece no meio desta.

A história prossegue com Tsubomi e Erika protegendo e purificando as Flores do Coração de várias pessoas, juntando Sementes do Coração, evoluindo seus poderes e estreitando sua amizade. Aliás, a importância da amizade é sempre uma constante nas temporadas Pretty Cure.

Aos poucos, vai sendo revelado mais sobre as misteriosas Pretty Cures do Primeiro Episódio, Cure Moonlight e Dark Precure. Outras personagens também vão aparecendo, como Nanami Shiku, uma menina órfã que ajuda a criar sua irmã menor, Yuri Tsuchikage, amiga da irmã da Erika, Momoko Kurumi, que é uma famosa modelo; Itsuki Myoudouin, líder do conselho estudantil e Kanae Tada, do clube de fotografia; além de uma fada bebê, Potpourri.

Uma nova Pretty Cure também se junta à Blossom e Marine, mas vou deixar a surpresa para quem se aventurar a assistir a série. Por mais incrível que pareça em tempos onde uma simples busca no Google pode revelar uma história inteira, eu tive a sorte de acompanhar Heartcatch Precure sem levar o spoiler de quem seria a terceira heroína. Assisti a série episódio após episódio, torcendo para que uma personagem de quem eu havia gostado pudesse vir a ser a nova guerreira. E acabei acertando! E obviamente, não estou falando da Cure Moonlight aqui… e será que Moonlight vai se juntar ao grupo? Só assistindo pra saber!

Que seria de Precure atualmente sem os belos encerramentos com essas dancinhas em 3DCG?

Os temas de abertura e encerramento também merecem destaque. Aliás, foi uma das músicas de encerramento, mais grudenta do que chiclete na sola do sapato, que me fez ter interesse na série. De ritmo contagiante, “Alright! Heartcatch Pretty Cure!”, cantado por Aya Ikeda, é o tema de abertura, que possui uma única versão a temporada inteira; apenas as cenas da abertura são modificadas conforme as pretty cures vão se juntando ao grupo.

Já os encerramentos são dois, “Heartcatch☆Paradise!” (de estilo puxado para o para-para) e “Tomorrow Song ~Ashita no Uta~” [com sonoridade gospel – sim, é possível, e a música é muito boa!], ambos cantados por Mayu Kudou, que já cantou outras músicas de Pretty Cure. Os encerramentos seguem o mesmo estilo iniciado pela temporada anterior, Fresh Pretty Cure: uma animação em computação gráfica, coreografada com a música. Só me digam depois se vocês conseguem ficar parados sem tentar imitar as dancinhas.

Heartcatch Precure, como dito no início desse artigo, é sim um anime criado para vender brinquedos – e os vende muito bem. Porém, possui um enredo bem amarrado, com boas doses de humor, fofura e porque não, drama. A história da Cure Moonlight fez cair lágrimas de muitos fãs, além de ser considerada a história mais triste de todas as pretty cures (e paro o spoiler por aqui). Além disso, Heartcatch Precure! é uma das temporadas preferidas dos fãs da franquia. Muito disso pode ser explicado justamente pelo fato da série ter sido totalmente legendada seguindo a exibição japonesa, o que fez muitas pessoas que haviam abandonado as temporadas anteriores a acompanhar Heartcatch com afinco.

O final da abertura é praticamente uma imagem promocional da série, vale a presença.

Outro fator que aumentou o número de fãs da série foram as diferenças para as temporadas anteriores, já ditas no início do artigo. Ter Nana Mizuki, cantora e dubladora super famosa e querida como a voz da Cure Blossom também foi um fator de atração para a série [se tem alguém perdido, ela dá voz à Hinata Hyuuga de Naruto]. E não menos importante, o character design também chamou a atenção: com desenhos de Yoshihiko Umakoshi, o mesmo desenhista de Ojamajo Doremi [outra série mahou shoujo de sucesso], Heartcatch foi até agora a série com o estilo mais diferenciado.

Portanto, se você está com saudades de toda aquela vibe mahou shoujo, se já quis ser uma guerreira lendária que luta pelo amor e pela justiça, se quer um anime despretensioso e divertido, ou se simplesmente sempre achou fofo esse tipo de anime, seja mulher ou homem, Heartcatch Precure – e porque não, as outras temporadas – é uma boa pedida.

Porque não um pouco de SPOILER no final?

6 Comentários

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6 Respostas para “Heartcatch Precure!

  1. Saudações

    Este anime é um dos mahou shoujos mais bem conceituados atualmente.

    À bem da verdade, ele não chama a atenção por uma premissa sólida ou angustiante. Em minha opinião, é um anime que busca ser um mahou shoujo leve, suave e descontraído, perfeito para os mais jovens. E isso, Heartcatch Precure! faz com uma tremenda maestria.

    Uma ótima análise, sem dúvidas.

    Até mais!

  2. Eu nunca vi esse anime, para falar a verdade nunca me interessei, acho que não faz meu estilo. Porem o seu texto da para ter uma ideia do que a serie pretende passar eu mesmo achei o traço da obra interessante, curto personagens com braços e pernas longas(fan da CLAMP).

  3. Eu adoro Heartcatch Precure! Que legal ter um artigo sobre a série.

    Comecei pelo filme, Hana no Miyako de Fashion Show… Desu ka?!, pra ver se ia gostar da história, e me surpreendi. O filme foi bom demais, e os personagens… kgashdfg Gostei até dos vilões! Com a série pra TV foi a mesma coisa.
    Uma das coisas que mais gosto são as expressões que os personagens fazem. Todos eles mudam muito de expressão, e mesmo assim é bem natural.
    E agora tô com a música de abertura na cabeça, hahaha.

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