Kimi ni Todoke 2nd Season

Transmitido entre Outubro de 2009 e Março de 2010 pela NTV no tradicional horário de terças às 24h59 [onde foram transmitidos Death Note, Ouran High School Host Club e Chihayafuru, entre outros], Kimi ni Todoke [Alcançando Você] foi o mais novo hit shoujo a ganhar um bom anime que somente potencializou o mercado para o manga, atualmente somente atrás da dupla One Piece e Naruto em vendas por tankohon – desde 2007, quando tivemos Lovely Complex e Nodame Cantabile sendo transmitidos respectivamente por TBS e Fuji TV, que isso não acontecia.

A primeira temporada chama a atenção pela excelente combinação de refinado traço [menos que o manga, mas com um alto padrão para TV anime] e uso inteligente de efeitos visuais – como os tão falados “faíscas e bolhas”, da alta definição e da simples mas ótima trilha sonora do S.E.N.S Project [em somente seu segundo anime] para contar, em tom de absoluta fábula, a história de Kuronuma “Sadako” Sawako [o papel perfeito para a conhecida dubladora Mamiko Noto, que ficou absolutamente perfeita no papel], totalmente inocente e excluída social que no começo do Ensino Médio vai aprender o significado da amizade e do amor.

Aviso: DAQUI EM DIANTE, TEXTO CARREGADO DE SPOILERS DE TODO O ANIME. CONTINUE POR VONTADE PRÓPRIA.

A doce e inocente protagonista, Sawako Kuronuma.

Nos primeiros 25 episódios da série, o foco maior é na amizade – representada principalmente pela dupla Chizuru Yoshida e Yano Ayane; mesmo que tenha sido o interesse amoroso, Shota Kazehaya, quem deu o primeiro empurrão no primeiro encontro do primeiro episódio da série. Há certo equilíbrio entre os dois temas [a trajetória de Sawako quanto a amizade e ao amor], e até mesmo há um arco dedicado a Chizuru. No final da primeira temporada, Sawako já tinha conseguido amigos de verdade e certo reconhecimento na escola, mas o lado amoroso gritava por uma resolução, que só seria possível com uma segunda temporada.

Em Janeiro de 2011, no mesmo horário e canal, estreia a segunda temporada – desta vez, com 12+1 episódios [o primeiro é uma recapitulação dos eventos da primeira temporada do ponto de vista da rival de Sawako, Ume Kurumizawa]. Na abertura – e posteriormente no encerramento, ambos ótimos como os da primeira temporada – temos a impressão de que o feeling da série continua igual. Mas é justamente aqui que muda tudo.

Shouta Kazehaya, um pouco menos Gary Stu que de costume nessa temporada.

Até por ser uma continuação direta de uma história que tem apelo popular, a parte técnica continua rigorosamente igual em sua excelência [que inclui o bom uso dos movimentos simples executados pelos persoangens], mas o feeling da série muda para acompanhar a evolução dos personagens. O que era uma história sobre uma garota tímida tentando conseguir amigos agora é sobre a mesma garota e seu par romântico, um buscando o outro [no sentido romântico] como o título faz questão de apontar.

Nessa direção, temos as duas principais mudanças na história [além do fato dos personagens estarem agora no segundo ano]: a introdução de um rival para Kazehaya com nome de Kento Miura [dublado pelo conhecido Mamoru Miyano, mais uma boa atuação no belo elenco da série] e o aumento do tempo em que Kazehaya aparece na tela [inclusive mostrando seus pensamentos], em um processo de “humanização” do personagem. As aspas ali são necessárias, dado que o casal protagonista é total e completamente irreal – os defeitos de ambos na verdade não são defeitos “de verdade”; afinal, quem poderia condenar a Sawako por ser tão tímida?

Com essa cara de envergonhada, precisa mesmo das faíscas e bolhas?

Temos então um arco que dá a sensação de longo onde o romance de Sawako e Kazehaya [interessante notar o ponto de vista da história: conhecemos a protagonista por seu nome, mas o protagonista é chamado quase que somente pelo sobrenome, exceção do professor e alívio cômico de plantão Pin Arai] passa por seu maior teste: o da confissão, que será pontuada extensamente por desentendimentos, causados pelos dois ou mesmo pelos demais personagens.

Mesmo para uma história de primeiro amor entre as pessoas mais inocentes como os protagonistas, o ritmo é ao mesmo tempo viciante e brutal, agoniante para o espectador – claro, a resolução é óbvia e o que acontece é uma longa construção para um clímax que se alonga por episódios. E o fato de desde o início a história de Kimi ni Todoke ser minimalista, mesmo para uma mídia como o manga/anime, levam o anime para a parede. Esta segunda temporada, até mais que a primeira, é uma experiência da qual o espectador não sai neutro – ame ou odeie, eis a questão.

TENSÃO.

Mas essa avaliação deve-se dar, pensando criticamente, a partir de um sistema de valores razoável. Principalmente no Brasil, onde estamos acostumados com a ficção que abrange todas as emoções humanas e conta ao mesmo tempo diversas histórias, costuma reclamar-se que em tal obra “faltou isso”.

Kimi ni Todoke é, como dito acima, uma história de conquista de amigos e primeiro amor com alguma leve intriga para movimentar a história. Nem faz sentido uma abordagem mais “realista”, dada a história que se quer contar aqui. Até porque, no vasto mercado japonês de anime/manga, há outras obras que oferecem algo que não seja um comercial de margarina. E Kimi ni Todoke, incluso a 2nd Season, é o comercial de margarina com mais faíscas e bolhas da história.

ME ABRAÇA. FORTE.

A série talvez tenha se arrastado um pouco para caber em 12 episódios, mas tivemos um final mais do que satisfatório. Os conflitos da personagem principal, dos pequenos aos grandes, foram plenamente resolvidos – a cena final faz questão de mostrar que mesmo os detalhes [simbolizados corretamente pela touca e os chocolates, ambos grandes símbolos do amor de Sawako, principalmente por serem feitos a mão, como grande Yamato Nadeshiko – como são chamadas as mulheres consideradas “ideais” pela sociedade tradicional japonesa – que é] foram lembrados, para não restar sombra de dúvida.

Mesmo a questão das amizades de Sawako é desenvolvida nesta temporada, mesmo que por baixo dos panos, é também é plenamente resolvida – os amigos de verdade são os da primeira temporada, mas a aceitação geral, pelo que ela é, não deixa de ser uma bela cereja no bolo. Faltou um beijo, alguns dirão. Mas dentro da proposta do anime, soaria falso – e é com um abraço, o abraço que diz “somos enfim um”, que termina esta simples mas muito eficiente série – e este artigo sobre.

37 episódios depois e esses personagens ficarão nas mentes de muitos por um bom tempo.

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