BLOOD-C, The Last Dark: Trailer e Algumas Considerações


Saiu nesta semana que se passou o primeiro trailer de BLOOD-C, The Last Dark, filme planejado em conjunto com a série que contará, em eventos que se passarão um ano após o último episódio da série de TV, o final da história desta Saya desenhada pelo CLAMP e encarnada por Nana Mizuki. Pode ser até simples demais, mas até por isso é bem eficiente em fazer os fãs da série ficarem ansiosos pela obra que sairá nos cinemas japoneses em 02/06/2012 e alguns meses depois – já provavelmente em 2013 – em home video, para alegria de quem não tem acesso ao Japão e não sabe nem se a série chegará por meios oficiais ao Ocidente [e claro que no Brasil nem podemos sonhar com qualquer anime]. E isto é uma boa deixa para requentar dois assuntos relacionados a este filme, que acabam sendo meio relacionados.

O primeiro destes é o excesso de sangue e gore na tela, sendo que neste caso não chega a ser questão de valores [há pessoas que realmente são mais sensíveis, e talvez externam isso de forma exagerada] – numa série aonde esta cena aqui [NSFW, 18+, avisados] não chega a estar fora dos padrões em uma série que sofreu uma censura idiota [porque balizada em deixar o espectador furioso e curioso pela versão sem censura somente disponível em BD e DVD em vez de adequar o anime a qualquer classificação indicativa], a tênue fronteira entre a arte que precisa ser livre e utilizar todos os elementos possíveis para contar o que precisa e a exploração de sangue, tripas e derivados somente para satisfazer desejos e fetiches dos fãs em uma obra nem chega a ser tocada em uma obra que fracassou em todos os aspectos – como pode ser visto no bom review do Lost in America [em inglês] sobre esta.

Claro que é uma discussão que merece um [ou mais] post calmo e elaborado sobre o assunto, mas BLOOD-C é simplesmente idiota em querer que “piscinas de sangue substituam o suspense”; teve seus fãs, principalmente no Ocidente [veja um ponto de vista diferente sobre a série aqui], mas conseguiu ser – com méritos – fracasso de crítica e público, com os discos vendendo por volta de mil cópias cada. Junto com Basquash! e Togainu no Chi, o maior fracasso do bloco de programação da MBS [DARKER THAN BLACK, Durarara!!, Mahou Shoujo Madoka Magica,] em anos – e se pensarmos que juntou CLAMP, Production I.G. e Tsutomu Mizushima gastando muito dinheiro em lutas bem-feitas [apesar do traço oscilante] para continuar uma franquia preexistente, o vexame é ainda maior que dos outros citados.

Mas o filme já estava nos planos, e mesmo sem Mizushima no barco [afinal, a vida continua e vai dirigir Another em Janeiro/2012] decidiram provavelmente perder mais dinheiro produzindo este. Mas espere, o governo japonês vai dar cinquenta milhões de ienes aos responsáveis pelo filme de graça para bancar a produção deste. Sim, aproximadamente um milhão de reais e um sexto dos trezentos milhões de ienes que custa para produzir todo um anime de 2-cour como To Aru Majutsu no Index.

Temos aqui outra discussão que é muito mais complicada que este simples artigo sobre se financiamento público de arte é válido. Mas mesmo considerando-se que certas obras não são comerciais o bastante para se sustentarem, sendo necessário incentivos estatais [que afinal, são com o seu dinheiro] para que a arte possa surgir sem restrições neste mundo capitalista nosso, que diabos BLOOD-C tem a ver com isso?

A obra surgiu com objetivos descaradamente comerciais [o filme sendo integrado com a série de TV só prova isso em tempos aonde todas as produtoras buscam fazer produtos neste sentido], conheceu a rejeição da crítica e do público e agora o governo tem realmente que salvá-la do prejuízo? Se é assim, como os produtores vão aprender a não repetir os erros? Enquanto isso, a produção do filme final de Satoshi Kon está paralisada e diversos diretores como Shinichiro Watanabe [Cowboy Bebop, Macross Plus, Samurai Champloo] estão sem emprego, em parte pelas possibilidades de anime a serem feitas hoje em dia serem menores que os otimistas pregam. Ou será mesmo que Kunihiko Ikuhara ficou dez anos somente vivendo para fazer Mawaru Penguindrum? As coisas já não estão fáceis para quem quer [e tenta] ser autoral e ainda temos que aturar isso? Fica a revolta.

7 Comentários

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7 Respostas para “BLOOD-C, The Last Dark: Trailer e Algumas Considerações

  1. Muito bom o post, me fez lembrar o quanto eu odiei esse anime e como fiquei decepcionado imaginando que a história em algum momento fosse se desenvolver… O trailer do filme poderia ser empolgante pelo traço, que é lindo, mas depois de ter visto a série é fácil deduzir que será uma grande perda de dinheiro…
    É impressionante ver o governo financiando, ainda mais com uma quantia tão grande, mas fica difícil falar mais sem conhecer a política de incentivo cultural de lá… Só que achei muito pertinente o que foi colocado no começo do último parágrafo do post.

  2. Saudações

    Levantamento pertinente e importante sobre esta obra…

    Visualizando a parte técnica da questão, eu não imaginava (nem em meus sonhos mais tenros) que o governo japonês fosse ajudar uma obra animada à vingar…
    No que fica pertinente à obra em si, sou demasiadamente suspeito para opinar, uma vez que não a assisti. Entretanto, há muitas pessoas aguardando com ansiedade pela animação exposta no trailer…

    Sim, no [Elfen Lied Brasil] o tom foi outro, mais de felicidade e de contentamento com o que está para chegar (e isso não é demérito algum, que fique bem esclarecido). Aqui no [Nahel Argama] houve um fator contrário na estética, questionando a obra como um todo (o que também não é um demérito).

    Eu, que não assisti à este anime, agradeço por tais posts. E por razões óbvias.

    Ótimo texto, Qwerty.

    Até mais!

  3. Soube disso e fiquei impressionada na época (assim que o filme foi anunciado), com o fato do governo patrocinar um filme como Blood The Last Dark. Falo pelo fato de ser um filme não recomendado pra toda a família, não por ser descaradamente comercial. APESAR que, esse detalhe, deveria pesar. Mas, outro país, outras regras. Apesar de ser um fato curioso e que particularmente, considero errado, não me importo tanto assim não. Quero mesmo é apreciar esse belíssimo filme hueuhehuehuehueuhe❤

    Sinto pesar mesmo é pelo filme do Satoshi Kon, que deve demorar pra sair do papel. Mas ai cabe a pergunta, sabemos o suficiente sobre as leis nipônicas pra sentir tanta revolta pelo descaso com as produções mais "cults"? Não me perece lógico, dois pesos, duas medidas. Não nesse caso, deve haver mais algum porém.

    No mais, Blood-C pode ter falhado miseravelmente em sua proposta (apesar de eu achar que não foi tão ruim assim XD), mas você está analisando pelo aspecto errado. Não é querer que litros de sangue substitua o suspense. O suspense continua lá, não como deveria mas continua. O sangue é apenas umas opção. Se você pegar o anime inteiro pra analisar, verá que a linha de raciocínio do Mizushima foi exatamente aquela, de começar gradativamente com um suspense e depois provocar a catarse, em algo meio Madoka Mágica. A parte do suspense é a masturbação e o gore, nada mais é que o goso absoluto. Você pode não curtir o recurso, mas o uso dele está longe de ser o problema de Blood-C. Tanto que a série só ganhou realmente mais apelo pelos fanboys, depois que houve essa reviravolta. Logo, o que compromete todo o projeto, é o desenvolvimento da péssima direção que teve, que levaram milhares a dropar e voltar depois por curiosidade.

    • Likou

      Concordo. Criticar só pelo sangue é um argumento extremamente pobre do autor do tópico. Problemas tem q vir de direção, não do aspecto visual, pois como o próprio autor disse, “há pessoas que realmente são mais sensíveis, e talvez externam isso de forma exagerada”.
      Curiosamente senti q ele reagiu exatamente assim no post dele.

  4. O grande problema de Blood-C foi mesmo a forma como o roteiro foi conduzido. Até porque, a estória é bem simplória de um ponto de vista leigo, como o meu. A priori eu estava realmente irritada com o fato dos cinco primeiros episódios serem tão boring. Até cheguei a reclamar que a série não era digna da franquia Blood (já que sou muito fã dela). Mas, mudei de ideia, a partir do episódio 6 (virei fangirl -q), onde começa realmente o desenvolvimento da trama, que ao meu ver, demorou demais para ser exposta. Até entendo que o diretor quisesse apresentar o cotidiano da Saya, porém, isto não precisava de 6 episódios e sim, no máximo, 3. O que me incomodou um pouco, foi a falta de um plot elaborado sob uma trama política. Blood: The Last Vampire e Blood + são tramas marcadas pelo desenvolvimento sob um plano de fundo político (como a influência americana no Japão, demonstrada pela base militar de Okinawa e a Guerra do Vietnã); fora que seu roteiros foram bem planejados e conduzidos. Diante dessas duas, Blood-C é bem diferente e simples (e a execução um fracasso). Há questões políticas (que só são apresentadas ao espectador no episódio 12), mas, são esquecíveis diante do gore e da chatice dos episódios iniciais. Aliás, aprecio o gore em Blood-C; até digo que é um dos aspectos que o diferencia de muitos animes por aí que usam o gore por puro fanservice. Não que este não seja fanservice, mas, mostrar as lutas violentas da Saya, faz parte do ‘apresentar ao espectador o cotidiano das personagens’. E realmente senti falta desse gore em Blood +. A diferença é que o último foi bem elaborado e executado (como já disse), de tal forma que o gore não precisou estar presente. Já a primeira, ocorreu o efeito contrário: para distanciar do “normal” do dia-a-dia, o gore teve que ter um destaque fundamental. Claro que pensar nisto me causou uma dúvida entre ruim ou bom. Eu achei bom. E, no entanto, apesar de todos os erros de direção, gosto e espero pelo filme, que me parece ser muito melhor que o anime, começando pela primeira diferença que é ao ler a sinopse, onde já destaca-se a trama política como plano de fundo. É quase uma “volta as raízes”, que pode funcionar ou não. E, segundo, que o diretor não é o mesmo (agora vemos Mizushima fazer um estrago bem pior em Another o_o’). Quanto o governo japonês estar patrocinando o longa metragem, acho que é uma questão de leis nacionais e/ou ações mercadológicas. Por exemplo, no Brasil, fazer filmes ainda é fazer arte. Por mais que tenhamos alguns filmes comerciais, pode-se notar que a produção nacional é puramente arte, tanto, que todos os filmes nacionais têm incentivos fiscais do governo, ou seja, não é voltado para o mercado, para vender. Já no cinema americano, é diferente, a produção de filmes é comercial e rende milhões de dólares todos os anos. Mas, o que isto tem a ver com Blood-C? Convenhamos que o mercado de animações japonesas é muito lucrativo, no próprio Japão e fora dele. Talvez o governo só esteja incentivando uma ramificação do mercado que dê grande lucro ao país que, até onde sei, está com a economia estagnada desde a crise econômica de 2008. Entretenimento, querendo ou não, é algo que dá dinheiro em qualquer país (é só parar e olhar como as novelas fazem sucesso no Brasil). E se o ponto forte do entretenimento japonês, que é adorado em todo o mundo, é a produção de animes, por que não investir um pouco nisso? Talvez Blood-C: The Last Dark, seja só um teste para o governo nipônico. Nem sabemos se o governo japonês vai ganhar ou não com a bilheteria do filme (digo, excluindo-se o arrecadamento com impostos). E, vamos admitir que Blood-C não vai ser o primeiro e nem o último anime feito para fins comerciais. Temos vários outros exemplos por aí.

    Apesar da crítica negativa, eu gostei imenso do texto. Gosto de ver diferentes opiniões acerca de algo que goste (até porque nem tudo são flores na vida). xD

    Acho que falei demais.. e.e’

  5. Pingback: Gloob Rejeita “Animações Japonesas Violentas” | Nahel Argama

  6. marcio

    Eu gostei do anime e ponto final. Mesmo que o anime não tivesse lutas e monstros eu ia gostar do mesmo jeito. O que eu não gosto é uso de várias palavras estrangeiras em site sobre anime como este. Gore, boring, fanboy… Pelo amor de Deus! Estamos no Brasil. Textos assim, parace que foram traduzidos pelo Google. Gosto ler texto em português e essa salada de idiomas.

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