Cinco Bons Animes Mecha

Como o próprio nome deste blog diz [ver mais sobre em sua Carta de Intenções], o gênero dos robôs gigantes e mecânicos sempre terá sua parcela de amor neste espaço; e como todo fã deste tipo de anime por estas bandas sabe, difícil a pessoa que se aventura no mundo dos mechas. Assim, uma iniciativa como a do blog Chuva de Nanquim de fazer todo um post com recomendações do gênero é muito válida – mas esbarra no fato de diversos citados, como Neon Genesis Evangelion e particularmente Code Geass ~Hangyaku no Lelouch~ até serem bons animes, mas não serem bons e eficientes representantes do gênero.

Claro que até tem elementos suficientes para podermos tachá-lo de mecha, mas não podemos considerá-lo como um representante que reúne as boas características que fazem o fã realmente adorar o gênero e este ter seu espaço no panteão da animação japonesa. Portanto também é muito válido formar aqui uma nova lista, talvez realmente um pouco mais hardcore para um eventual leitor iniciante, mas que contém animes que são tanto muito bons [a ponto de serem clássicos], quanto acessíveis ao espectador com algum tico de paciência [temos além de ação em robôs gigantes, enredos que tem comédia, drama e romance]; acima de tudo, são bons animes de mecha.

Macross Plus

Para muitos, o melhor anime da franquia que mistura música, romance e ação com robôs gigantes que alguém definiu maldosamente como o Gundam sexy tem duas características que o tornam um anime distinto: é, tardiamente, um dos últimos representantes da era de ouro dos Original Video Animation, sendo que leva ao limite um character design refinadíssimo [por Yoshiyuki Sadamoto, o autor da identidade visual de Evangelion] animado de maneira caprichada pelo desconhecido estúdio Triangle Staff; e também tem como protagonistas personagens que já não são adolescentes [mesmo que um tico imaturos], o que é algo incomum para animes, quanto mais para Macross.

E além do citado Sadamoto, um verdadeiro time de elite contendo principalmente o diretor Shinichiro Watanabe e a compositora Yoko Kanno [que pode contar com a Orquestra Filarmônica de Israel] foi reunido para executar esta série em quatro episódios de quarenta minutos cada, sendo que o resultado saiu até melhor que o esperado por muitos [tanto que daí surgiu a parceria que voltaria no ainda melhor Cowboy Bebop] – principalmente para algo com o roteiro simples [e algumas ideias bem-sacadas].

Macross Plus é basicamente a história de um triângulo amoroso entre os protagonistas que, após tornarem caminhos distintos em suas vidas devido a um forte trauma, se reencontram; eles, pilotos de teste de um protótipo de Valkyrie Fighter; ela, produtora da primeira idol virtual da história daquele mundo sem Hatsune Miku, Sharon Apple. Vale notar que Apple, uma consciência artificial, é uma construção criativa potencializada por uma das melhores trilhas compostas por Kanno – o anime [que é um exemplo perfeito de obra de direção afiada o suficiente para ser bom e ter uma mensagem e mesmo assim tendo várias camadas e podendo ser vista por todos] vale uma conferida somente pelos shows magnificamente bem dirigidos e orquestrados pela dupla que viria anos depois lançar simplesmente o que é um dos melhores animes da história: Cowboy Bebop.

Mobile Suit Gundam 08th MS Team

Ação entre robôs gigantes calcada em um ambiente algo minimalista e em escala reduzida para o padrão da série que também sabe contar diversos pontos de vista sobre certos dramas típicos de guerra no qual o romance, mesmo que não excelente, consegue ao menos levar diversos outros espectadores iniciantes na franquia Gundam até o fim deste anime que pode até cair no clichê e no drama em seu arco final, mas que consegue executar isto com certa graça e tom certos – diversos espectadores devem ficar boquiabertos com o final do penúltimo episódio.

Graças ao tripé mostrado acima, podemos dizer que é um anime que poderia muito facilmente não ter o feeling de Gundam, mas 08th MS Team é um anime que consegue se equilibrar; ao mostrar robôs gigantes produzidos em massa no papel de protagonistas, consegue mostrar quem foi detrás das sombras que venceu a One Year War de UC 0079 – simplesmente a guerra mais importante e citada neste universo principal de Gundam – dando uma camada de profundidade adicional a franquia como um todo que o posterior MS IGLOO até consegue reproduzir, mas sem o mesmo charme.

O romance entre os protagonistas pode estar realmente abaixo dos melhores dramas, mas é muito bem desenvolvido para este anime e é sim acima da média? Primeiro amor? Com certeza. Mas o desenvolvimento é bem-feito [particularmente no episódio sete] e mescla-se bem na trama, mesmo com a revolta de alguns fãs mais xiitas dos robôs gigantes.

Por fim, o que deve interessar a maioria dos leitores: os dramas de guerra podem não serem realistas, sujos e até algo cruéis como podem pensar que histórias relacionadas a guerra deveriam ser [em manga, temos o ótimo Shingeki no Kyoujin que mesmo na teoria não sendo de guerra consegue passar esse tipo de mensagem] são muito bons dramas sobre personagens carismáticos e que sabem muito bem mesclar-se no assunto. Dos guerrilheiros rebeldes aos militares perdidos na selva, 08th MS Team é sobre os seres humanos em um mundo que incidentalmente existem robôs gigantes. E principalmente por isso vale muito o ingresso.

Shin Gekijouban Evangelion [Rebuild of Evangelion]

Neon Genesis Evangelion é tão óbvio e batudo que nem deveria ser citado em artigos de recomendação – pelo menos aos minimamente iniciados, mas não é por isso que está fora dessa lista e sim por sua segunda metade focar basicamente nos personagens e seus dramas [destaque para os dois episódios finais], sendo que os mechas são deixados de lado por conta disso.

Porém, dez anos após o Fim de Evangelion, marcante filme que dá o mesmo final da série de ATV por um ponto de vista mais palatável às massas, finalmente chegou aos cinemas japoneses o filme que se propõe a recontar a história da série sob um ponto de vista atualizado por um Hideaki Anno mais maduro e menos depressivo que [atualmente] há quinze anos.

Mesmo tendo a sua disposição todo o dinheiro do mundo e com a audiência praticamente garantida para a franquia individualmente mais lucrativa do anime hoje [Gundam é maior, mas demanda muitos universos para isso], Anno focou em fazer até aqui espetáculos que não fazem feio aos padrões hollywoodianos, com uma boa mistura entre o enredo [e o desenvolvimento de personagens] propriamente dito e generosas doses de ação. As boas ideias – e animação bacana – presentes no anime de 1995 só melhoram na transição do primeiro filme que basicamente reconta a história dos seis primeiros episódios para o segundo, que basicamente começa a contar toda uma nova história somente utilizando ideias em comum e personagens muito parecidos – mas não exatamente iguais.

O resultado é um filme que ao mesmo tempo carrega honrosamente a marca Evangelion [talvez sem a magia da série de TV, mas ainda com muito cuidado] e é um ótimo filme de ação e mecha, com sequências de simplesmente cair o queixo espalhadas até surpreendentemente bem ao longo do filme. E com o resultado comercial fenomenal do segundo, às expectativas para os próximos estão perto do teto.

Tengen Toppa Gurren Lagann

O gênero conhecido como super robot, no qual basicamente os robôs gigantes tem um componente mágico [mesmo que disfarçado convenientemente sob algum technobabble pseudo-científico] teve seu auge na década de 1970, antes de Mobile Suit Gundam vir com seu conceito de mecha como apenas uma máquina de guerra passível de produção em massa. E já na época de Yuusha-oh GaoGaiGar [1997], o que víamos deste gênero já era uma ampla homenagem ao passado [neste ponto, temos também as brocas vindas de Getter] e em 2007 nada mais existia para Tengen Toppa Gurren Lagann ser comparado.

Esta bela homenagem que é um baita de um tour de force dirigido por Hiroyuki Imaishi e que conta a história do menino escavador Simon – que, junto de seu mentor, o explosivo e carismático Kamina, e a forte e sexy Yoko – irá partir rumo ao céu recheado de estrelas neste anime que é sinônimo de personagens carismáticos e enredo envolvente e que apesar do começo lento tem uma crescente assustadora para chegar em um belo e magnífico clímax.

E para isso ao longo da jornada outros personagens – do racional Rossiu ao rival Viral [percebeu o trocadalho?] se juntam ao time, sendo tridimensionais mesmo com o tempo exíguo de desenvolvimento permitido pelos somente vinte e sete episódios presentes nesta obra que destaca-se pelo apreço aos detalhes e a formação de camadas; afinal, desde um simples anime de ação até uma obra que contém diversos temas e subtextos presentes por debaixo da diversão. Gurren Lagann é descomplicado por méritos do staff envolvido no já famoso anime – mas ainda assim menos famoso do que merece.

Top wo Nerae! [Gunbuster]

Quando vemos a GAINAX atual e suas obras bem produzidas [e com poucas arestas] mas que parecem não ter alma [Hanamaru Youchien, Houkago no Pleiades, Dantalian no Shoka] mal parece que já foi o minúsculo estúdio que fez Top wo Nerae! ou Gunbuster – que, como revela seu título, contém uma história de coming-of-age de uma inicialmente perdedora garota que remete ao clássico do shoujo Ace wo Nerae!, mas que mistura isto com um enredo de science fiction em um tempo aonde o termo era levado mais a sério; é característico de nosso início de Século XXI certa descrença em uma ciência revolucionária que nos levará a um futuro mágico – e enquanto no mundo real o descrédito na NASA ou na cura do câncer [temas ainda bem recorrentes nos anos 1990], na ficção sci-fi temos Steins;Gate e Terra Nova como seus representantes.

Mesmo Gunbuster sendo uma obra muito acelerada [afinal, tem somente pouco menos de três horas de duração] e não muito redonda na busca por abordar diversos temas, é notável por ter a qualidade suficiente para ser verdadeiramente especial. Vale notar que é preciso paciência para chegar ao final, que é aonde o anime realmente brilha. Claro que – assim como Madoka Magica – cada minuto da série é importante, mas muitos terão o sentimento que o começo pouco acima do correto e decepcionante para algo com tamanho hype; mas acontecem boas reviravoltas no volume dois do OVA [episódios 3 e 4 de 6] que levam a obra a uma decente – mas falsa – conclusão; e é desse ponto aonde o terceiro e último OVA parte para dois episódios verdadeiramente épicos aonde Noriko e sua irmãzona [onee-sama] lutarão e sacrificarão tudo na maior luta que a humanidade já conheceu rumo a um dos finais mais grandiosos – e lembrados – dos animes.

5 Comentários

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5 Respostas para “Cinco Bons Animes Mecha

  1. Só assisti dai Evangelion, Gunbuster não sei, eu vi um movie, só que foi o Diebuster acho. O Resto não me importa ou não me deu vontade ainda.

  2. Ótima lista, fugindo dos normalfag, mas ainda dando a mão para eles.
    De todos os Macross esse foi o que eu menos gostei, realmente não lembro o porque, talvez ver novamente para lembrar. O Macross do meu coração sempre vai ser o Seven, mesmo cheio de merda.
    08th MS Team é realmente muito bom, consegue dar um clima ainda maior de REAL, no real robot.
    TTGL e Evangelion são dispensados de comentários. Um é uma coisa divina e o outro é bom.
    Eu sei que Gunbuster é bem melhor, mas prefiro Diebuster por algum motivo, talvez me lembrar de TTGL.

  3. Senti falta de Macross Zero mas o Plus também é sensacional

  4. Ultimamente tenho me aventurado bastante no gênero mecha. A princípio para entender melhor por que esse gênero faz tanto sucesso no Japão, mas também pelo simples entretenimento.
    Em ordem temporal, os animes do gênero aos quais eu já assisti foram: Evangelion, Code Geass, Code Geass R2, Rebuild of Evangelion, Gundam, Z Gundam e Tengen Toppa Gurren-Lagann (que terminei de assistir agora há pouco). No fim das contas, achei todos muito bons, cada um à sua maneira.
    Até o fim das férias da faculdade, pretendo assistir pelo menos a Gundam 08th MS Team e, se possível, também a IGLOO, 0080 e 0083, e, quem sabe, a Macross Plus.

  5. Nunca vi o Rebuild of Evangelion. Acho desnecessário e meio que desrespeito com algo que não precisa ser ‘refeito’. O anime original é o meu preferido e provavelmente vai ser para todo o sempre, é genial e nada menos que isso.

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