THE iDOLM@STER

Uma das diversas peculiaridades da cultura pop japonesa é a presença das chamadas idol – as meninas polivalentes de rosto bonitinho e sorriso no rosto sempre presente e que fazem de tudo no ramo midiático, de cantar a atuar, sempre passando pelas obrigatórias capas de revista. Mesmo tendo originado um tipo de fanático [otaku] próprio – e assustador, afinal são pessoas de verdade ali -, o fato de estarmos [tratando-se de anime] na era do moe~ permite a conversão deste ambiente com facilidade para o mundo das esposas [waifu] 2D.

Assim em 2005 surge, como um jogo para Arcade produzido pela gigante Namco, a série THE iDOLM@STER – que logo se destacou entre os jogos para otaku por ser um bom gerenciador de idol eficiente e lotado de potenciais waifus entre as doze protagonistas à sua disposição [que não, não podem envolver-se romanticamente com você].

O sucesso retumbante do jogo logo fez surgir uma conversão para o console Xbox 360 – e para aproveitar o momento, sempre é válido um acontecimento multimidiático. Porém, em 2007 fazer um anime baseado somente no moe deste grupo de personagens ainda era algo considerado razoavelmente arriscado; assim, os produtores – que incluem o estúdio de animação Sunrise, afiliado a gigante dos brinquedos BANDAI [que pouco antes havia fundido-se a Namco] – decidiram misturar as idol a um anime de mecha em mais uma daquelas ideias absurdas made in Japan que – mesmo com Xenoglossia sendo dirigido por um ascendente Tatsuyuki Nagai [ToraDora!, Railgun, Ano Hana] – obviamente seria destinada ao fracasso e ao esquecimento.

Quatro anos depois, no começo de 2011, temos o lançamento de THE iDOLM@STER 2 [para o mesmo Xbox 360]: que pode praticamente redefinir muito, da jogabilidade à história, mas que não abre mão de resetar os acontecimentos para contar novamente o porquê do grupo 765 [um jogo de palavras com Namco] ter se tornado um tamanho sucesso [a ponto do autor de Berserk, Kentaro Miura, ser fã declarado da franquia] – afinal, por que substituir personagens que obtiveram reconhecido sucesso?

E de novo a Bandai Namco Games decide emplacar um anime de THE iDOLM@STER, mas desta vez co-produzido pelo poderoso grupo ANIPLEX. Desta vez, fidelidade absoluta ao espírito do jogo, rios de dinheiro e uma produção esperta que pegou o novato mas promissor diretor Atsushi Nishigori [character designer de Tengen Toppa Gurren Lagann e Panty and Stocking with Garterbelt] para comandar esta união sagrada entre as empresas e o fandom de “Aimasu” [como é conhecido Aidorumasutaa no Japão].

Assim estreia em Julho/11 nas madrugadas da TBS a série de 2-cour contando com um Primeiro Episódio em forma de documentário que introduz de forma precisa todas as protagonistas e o Produtor [em um plot twist bem feito] que as guiará rumo ao sucesso; bem aceito entre a crítica de animes, desagradou diversas pessoas menos propensas a este tipo de obra por mostrar de cara de verdade. THE iDOLM@STER não tem história. Ponto.

Para poder agradar o fandom de cada uma das doze [treze?] personagens existentes na série vale tudo, até mesmo sacrificar a desculpa da série no altar do episódio certo para cada personagem. A execução da trajetória delas rumo ao estrelato pode ser considerada até abaixo da média e fora disso não há literalmente nenhum tema a ser tratado – sim, pelo menos conceitualmente os limites marcados por K-ON! – que ainda tenta manter um fio narrativo – simplesmente expandidos da forma mais conveniente.

Sim, vale aqui a crítica do Super Famicom [tradução via @alex_lancaster] de que temos “uma verdadeira destilação total da narrativa para que se torne um veículo puro para os personagens, que são, em si, construções de elementos moezeiros testados e aprovados [golems-moe, se você preferir]“. Se isso for o suficiente para você querer quebrar o monitor em cima das imagens que ilustram este artigo, obviamente este anime não é para você, ponto. Mas podemos condenar uma obra somente por isso?

Individualmente, não. Claro que para a indústria como um todo é péssimo depender deste tipo de obra que tanto afasta um público potencial maior para a mídia quanto engessa as possibilidades de histórias a serem contadas – assim, quando surge um Usagi Drop, com sua proposta diferente e madura, toda a “crítica especializada” automaticamente derrete-se toda; afinal, são séries assim que satisfazem a demanda reprimida por animações para adultos tão presente principalmente neste lado do globo; mas sendo curto e grosso: o que THE iDOLM@STER tem a ver com isto?

Nada – e mesmo sendo basicamente a execução do acordo mencionado acima no qual toda e qualquer das idol presentes na história tem direito ao seu episódio especial [assim como sua imagem em uma capa de DVD/BD – tanto que as capas dos discos são duplas], esta é feita de forma a satisfazer plenamente o razoável mas ruidoso público-alvo da série em um anime muito do bem dirigido – mesmo que em sacríficio de qualquer coesão narrativa.

Assim, temos alguma experimentação em certos aspectos do anime, principalmente em saber trabalhar com a unidade de medida que é o episódio. Temos desde um divertido episódio que mistura comédia e mistério estrelando as crianças da turma, que são as gêmeas Ami e Mami Futami, até um episódio vinte bastante dramático envolvendo a mais séria das protagonistas, Chihaya Kisaragi. E em ambas as situações o anime sabe colocar o ritmo certo, o clima exato e usar diversas técnicas – desde visuais até de narrativa – para contar melhor o que pretende; claro, nunca, jamais! assustando o espectador que sentou na cadeira justamente para ver moe~.

Sim, THE iDOLM@STER pode ser comparado a um belo cupcake trabalhado nos mínimos detalhes e que exala açúcar e creme por todos os lados; só que aqui a receita de bolo é o amor fabricado em um estúdio de animação onde cores vibrantes, corpos perfeitos e sorrisos sempre no lugar estão na medida para alegrar o espectador após um longo e tedioso dia – seja cansado de uma longa jornada de estudo e/ou trabalho, seja um onde este simplesmente tenha virado de um lado para o outro na cama.

E o cliente só sai satisfeito porque desde o jogo original pensou-se com cuidado como montar bem as personalidades das garotas nos fetiches [todo mundo tem ao menos um, e cada um tem o seu – mesmo que seja com pobre]; é um sistema equilibrado [que também sabe harmonizar com um character design bonito e que consegue soar natural] que acaba caindo como uma luva a muita gente, afinal acaba sendo muito fácil ter ao menos três favoritas entre as idol presentes aqui. Mesmo assim, personas como a da citada Chihaya Kisaragi e a da alegre Miki Hoshii acabaram contando com maior sorte e são melhor trabalhadas na obra a ponto de serem as preferidas entre os fãs.

Mesmo assim, o destaque dado a essas duas [e mais uma ou outra como a tomboy Makoto Kikuchi] é aqui feito de leve e não chega a comprometer o fino equilíbrio que sustenta THE iDOLM@STER; a prova maior disso é como o enredo dá destaque ao grupo, a 765 Production em si [mesmo sacrificando a rival 961 [usando-se trocadilho semelhante ao feito com 765, Kuroi] Production, sendo que o momento máximo do anime – após momentos de drama – algo forçado, com o perdão de quem gosta – são os lives protagonizados pelas protagonistas, onde a animação veste a camisa do time em toda a glória de talvez as melhores cenas [considerando-se animação pura, o chamado sakuga] de 2011. Em qualquer anime. Duvida? Veja aqui e aqui.

Bem, review longo e tortuoso – e neste ponto, fiel à série. Mas também feito com muito amor e transpiração, algo que claramente percebe-se neste debut também de Atsushi Nishigori, desde já uma das grandes promessas de diretor para o futuro que juntamente com outros ex-funcionários do Studio GAINAX [fora muitos outros já presentes no A-1 Pictures] realmente parecem ter doado o sangue para fazer um primeiro projeto sólido.

É absurdamente moe, é para relaxar/apreciar e otras cositas más, é claramente focado em um público masculino [o grupo rival Jupiter – que poderia atrair as fujoshi, formado por garotos bonitos, aparece o mínimo possível e é tratado da forma sem sal possível], enfim, é compreensível que o público para algo assim no Brasil esteja restrito a cinco ou seis gatos-pingados bem atentos e aclimatados ao que se passa no Japão; realmente falta o mojo que levou K-ON! a atingir a imensa popularidade que tem, mas sem dúvida é um dos melhores animes do gênero feitos nos últimos anos.

E apesar do final conclusivo [ao mesmo tempo espertamente sem ser], claro que há material para uma segunda temporada, sendo que a própria abertura do anime [em sua segunda versão] dá a dica…

11 Comentários

Arquivado em Reviews

11 Respostas para “THE iDOLM@STER

  1. Qwerty safada, só porque meu blog teve uma review disso e vive com essa sendo a melhor até hoje. SAFADA. VEJAM IDOLMASTER NEGOS

  2. Olha, o negócio é curto e grosso.
    Se EU gostei de iDOLM@STER, qualquer um pode gostar de iDOLM@STER.
    Tomai aí, finalmente um moe que eu posso ver sem problemas, simplesmente pra relaxar e curtir, é pra descansar e sorrir mesmo.

  3. Saudações

    Disparadamente, este é o post mais [bonito visualmente] que já vi do Qwerty, desde a época de SubAni.

    Além disso, tratar o dito [moe] como foi aqui feito não é algo muito fácil de se fazer. Particularmente, em se tratando de um jovem que costuma fazer reviews mais “frias” e “rigorosas” dos animes que assistiu, o texto presente ficou além do escopo mais tradicional, brindando quem visitar o [Nahel Argama] com um sutil [assiat THE iDOLM@ASTER, pois é muito recomendado].

    Ótimo texto, rapaz!

    Até mais!

  4. Falta o Lancaster gostar de idolm@aster😀
    Kentaro Miura estava certo então? ><

    Verei idolm@ster.

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  10. Esse texto é lindo! Nunca esperei que um resumo tão otimista e ao mesmo fiel, justo, pudesse ser feito sobre essa série no Brasil.
    Parabéns e muito obrigado por fazer este ótimo texto.

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