E As Mulheres Querem Ser Hardcore…

A grande novidade dos últimos anos no mercado dos animes é sem dúvida a entrada das mulheres em grupo como consumidoras ativas deste tipo de entretenimento – inicialmente, basicamente em produções feitas para ambos os sexos como Mobile Suit Gundam SEED, Ookiku Furikabutte e principalmente Code Geass ~Hangyaku no Lelouch~; mas depois as produtoras perceberam o potencial que este mercado tinha e começaram aos poucos a lançarem obras como Kuroshitsuji, Hetalia Axis Powers e Hakuouki, verdadeiros sucessos de público que abriram as portas para um mercado atualmente emergente, em processo de consolidação e que procura atender os desejos desta fatia crescente do fandom de anime que existe há muitos anos, porém em pequeno número e durante muitos anos foi sistematicamente desprezado pela indústria [que afinal é dominada por homens, só ver o número patético de mulheres diretoras e/ou roteiristas de anime]: as mulheres, principalmente as fujoshi.

Como muitos outros termos relacionados a anime, fujoshi tem diversas interpretações possíveis, mas iremos utilizar aqui como sinônimo de mulher realmente interessada em anime e relacionados e que busca principalmente ver relacionamentos homoeróticos retratados na tela [ou, como acontece em muitos casos, obras que apenas contem elementos em nível suficiente para provocar uma verdadeiro turbilhão de fanart, fanfic e relacionados]; e por esse conceito podemos ver que o fetiche representa papel principal em definir quem é fujoshi e quem não é – até porque o material citado acima é produzido em primeiro lugar pensando em satisfazer esses desejos das fãs [afinal, é o que vende] antes de realmente contar uma boa história.

E o que isso tem de diferente em relação a material otaku como Hanasaku Iroha ou THE iDOLM@STER? Nada. Simplesmente estamos assistindo ao crescimento de mais uma categoria de fãs que valoriza fetiches e fórmulas feitas em detrimento do que realmente interessa que são boas histórias [e vale dizer que estas existem em animes [como TIGER&BUNNY] que também agradam as fujoshi]; enquanto um Chihayafuru precisa vender absurdos de manga para receber o sinal verde para ganhar uma animação, outras obras tiveram menos sorte e foram preteridas por um Kimi to Boku da vida.

Assim, como dito no título deste artigo [uma referência jocosa a isto] as mulheres agora querem – e podem – ser fãs hardcore de anime. Claro, com suas diferenças em relação aos homens como a preferência a relacionamentos homossexuais, a tendência maior para formar casais [ao contrário do homem que quer sua amada para si] e a não-adesão em massa ao Blu-Ray.

E infelizmente isto é um fato a ser lamentado, tanto como os homens que há mais tempo cruzam a linha como um grupo; CLARO QUE UNS E OUTROS TEM TODO O DIREITO E LIBERDADE PARA EXERCEREM O SEU DIREITO DE GOSTAREM DO QUE QUISEREM, COMO TAMBÉM TENHO O MEU DE PUBLICAMENTE LAMENTAR OS EXCESSOS QUE ACONTECEM. E sinceramente, não vejo como distante o dia que teremos uma notícia como a de um otaku “casando-se” com sua personagem favorita em forma de travesseiro gigante ou todo um artigo [muito recomendado, mesmo que em inglês] do New York Times a respeito desse complicado terreno que é o amor em 2D – só que com mulheres.

Claro que estamos em um mundo no qual a virtualização dos relacionamentos está só começando e cujas consequências futuras disso são difíceis de prever, mas é difícil de não imaginar que o processo que há mais de uma década ocorre devagar e sempre dos animes estarem cada vez mais servindo como simuladores de encontro, tanto direta [afinal, as adaptações de Visual Novel estão aí pra isso] quanto indiretamente [quando temos waifus – e agora husbandos – feitos minuciosamente para agradar a um público-alvo de nicho, mas fiel e que sustenta a indústria] esteja só crescendo e direcionando a indústria para um estado cada vez maior de puro estilo e nenhuma substância.

E é isso que deve ser discutido, não 1 – o fato de esta ou aquela obra existir; o problema não é algo como K-ON! existir, o problema é estarmos em um estado em que animes como este são praticamente a única opção, negligenciado e alienando outros possíveis públicos consumidores e; 2 – criticar uma obra por esta agradar o público feminino [e/ou ter relacionamento homossexual], o que aliás é preconceito.

Sim, até soa repetitivo falar isso, mas é o preço de se mexer em um terreno escorregadio; claro que é legal ver que animes [aliás, ser nerd em geral] é cada vez menos um Clube do Bolinha, mas quando a referência em quadrinho sobre História é o fraco Hetalia [bem, o Otakismo discorda], algo está errado. E vale lembrar que mesmo o lolicon que tanto assombra tantos tem seu equivalente com garotinhos na forma do shotacon; e sim, o fandom de Inazuma Eleven [como nesta imagem algo NSFW] pode ser tão assustador quanto os que veem Precure com más intenções.

4 Comentários

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4 Respostas para “E As Mulheres Querem Ser Hardcore…

  1. “enquanto um Chihayafuru precisa vender absurdos de manga para receber o sinal verde para ganhar uma animação” Não vi o problema que essa frase quis passar.

  2. Pingback: Aberturas de Anime e Dia Nacional do Yaoi | Nahel Argama

  3. Percebi outro dia que o público do musical do Prince of tennis era 100% mulheres.
    Análogo ao público do show de Lucky Star no Budoukan, que o público era 100% homens.

    É uma coisa muito doida 😀

  4. @Eduardo Ketsura: Que Chihayafuru só ganha animação se vender absurdos de manga.

    @Jasque: Acostume-se porque o mundo otaku/fujoshi é bem assim.

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