Por Que Assistimos Anime?

Afinal, por que diabos assistimos anime?

Dentro e fora do blogging de anime [e isto é algo que estende-se para qualquer área que possa ser enquadrado na seção de Cultura de um jornal] discute-se muito sobre a qualidade das obras disponíveis [principalmente sobre as novidades – afinal, somos muitas vezes vítima do processo industrial de eterna renovação do que ser abordado, mesmo que tudo seja no fundo mais do mesmo], muitas vezes com textos focados em analisá-la utilizando uma penca de termos técnicos e esquemas previamente montados.

Esquema este adotado com fervor aqui neste blog [afinal, a análise ainda mais focada, fria e analítica que de costume é um belo de um diferencial para este], costuma dividir opiniões – afinal, para muitos ler um texto em um blog acaba sendo uma experiência algo pessoal, na qual a opinião apresentada é comparada com a opinião anterior da pessoa em um processo no qual qualquer chance de aprendizado parece ser descartada desde o início.

Afinal, com a pessoa gostando ou não de, para pegarmos algum exemplo, Mawaru Penguindrum, deve-se concordar que estamos diante de uma obra bem acima da média do que é produzido no Japão desde sempre; isto não é matéria de opinião e sim de fato, e uma resenha que ao menos exponha claramente este ponto não deve ser levada a sério de um ponto de vista profissional e sim, jornalístico. E apesar de estarmos na internet, por que não adotar um tom sério e que consiga ao menos deixar claro opiniões que mesmo tendo um recorte pessoal ainda sim sejam válidas para qualquer leitor, independente de suas convicções e outros aspectos estritamente pessoais?

Assim, vamos utilizar aqui como exemplo de um anime tecnicamente bom [mesmo que falte um plus para tornar-se um futuro clássico] Chihayafuru. Uma ideia instigante [uma colegial apaixonada pelo desconhecido – e bastante regional – esporte karuta que deseja realizar o sonho de infância de ser a “mestre” neste esporte, a melhor jogadora no Japão disto] que embala um roteiro aparentemente simples mas repleto de detalhes charmosos que é conduzido por um time de personagens extremamente carismáticos em uma produção bem executada pelo estúdio MADHOUSE, com o experiente diretor Morio Asaka [Card Captor Sakura, Chobits] liderando o projeto.

É bom, é constante e é até overrated em certas parcelas do fandom – ao mesmo tempo em que é solenemente ignorado em outras por ser “chato”, faltar ação e outras reclamações semelhantes. Claro que poderia estar falando de uma obra mais famosa e com reputação mais estabelecida ao longo de muitos anos – como Cowboy Bebop – mas o dito acima continua valendo: existem obras que, ao menos com um padrão mínimo de qualidade alcançado, tornam difíceis qualquer crítica mais pesada feita a elas [mesmo tendo defeitos que impedem-nas de chegar ao almejado – e por muitos banalizado – 10/10]; você deveria assisti-las porque são, sem muita margem para dúvidas, boas.

Ao mesmo tempo em que existem estas obras valorizadas pelos ditos entendidos pelo assunto – que podem ser populares ou não, vide o fandom reduzido [mesmo que fanático] que existe ao redor de Legend of the Galactic Heroes – há paralelamente todo um leque de animes que são populares pelos mais variados motivos – desde obras que inicialmente são elogiadas com fervor pelos formadores de opinião até outras que, apesar de criticadas ou simplesmente solenemente ignoradas por estes.

Poderia citar Deadman Wonderland como exemplo aqui, mas a relação do fandom para com Guilty Crown é forte demais para não ser notada. Inicialmente projeto que contava com a simpatia de muitos e altas expectativas mesmo por parte da ala mais elitista do fandom, após um primeiro cour fraco aonde o roteiro confuso e exagerado não levou a lugar nenhum o sentimento geral era de descrença – tanto que muitos decidiram simplesmente largar a jornada pela metade.

Mas o segundo cour, que segue firme em manter a essência da série em tentar fazer sucesso a todo custo neste verdadeiro blockbuster pra lá de rocambolesco, é insanamente divertido. Criticamente, é ridículo tentar defender a escrita com a mão cada vez mais pesada presente na série que guia-se simplesmente pelo senso de oportunidade dos realizadores em perceber qual é a fórmula para vender os dez mil discos que devem garantir sobrevida à franquia no futuro. Mas sem dúvidas é uma experiência válida, feita na medida para ser apreciar – para o horror de certas pessoas – mascando pipoca a toda velocidade com uma estupidamente gelada Coca-Cola ao lado.

E assim abre-se o caminho para esta segunda série ser mais popular que a primeira. Vende-se quatro vezes mais discos, deve ser a felizarda a ganhar mais material no futuro e até mesmo deve ser a mais assistida no geral pela silenciosa maioria [que inclui as pessoas que urram pela internet afora] que assiste anime justamente para obter sua dose de meia hora de entretenimento.

Arte e entretenimento, assistimos anime pelas duas coisas – como em todo estudo de categorias, aqui tratamos de exemplos em estado ideal, quase impossível de existir na realidade -, estando estas presentes ou não na mesma obra – sendo que dependendo do tato de cada um podemos ter percepções diferentes a respeito da mesma obra. Enquanto muitos assistem Another pelo clima soturno e eventuais mortes que ocorrem, outros empenham-se em tentar decifrar o quebra-cabeça presente na série – e estas duas visões são válidas e devem ser igualmente respeitadas.

O que não dá é proteger-se e tentar somente enxergar os fatores que constituiriam um fandom ideal. Mesmo uma postura de “o meu anime é melhor que o seu”, como a adotada pelo Panino Manino é válida, desde que tanto a pessoa saiba o que está fazendo e não tente enganar seu leitor [e talvez a si próprio]. Duro é ter que ler uma crítica à crítica que nem consegue admitir que só vê tal obra – baseada puramente em entretenimento – somente porque os elementos que a atraem estão presentes ali. Mas… e se tivesse o Melhor de Guilty Crown?

P.S.: Texto confuso que segue duas linhas de raciocínio e em um mundo ideal deveria ser repartido em dois [talvez três; há traços de ideias para um terceiro]; mas em um mundo aonde mil palavras não é algo legal de deletar-se e aonde a percepção do público é diferente da do autor, fique a vontade para ler [caso tenha vindo direto para cá], comentar e divulgar este algo revoltado e polêmico artigo.

P.S.2: Claro que o ideal seríamos ter um mundo repleto de paz, amor e pessoas com visão de mundo ao menos razoavelmente compatíveis – como isto não acontece, melhor uma discussão violenta mas honesta e aonde alguma lição seja aprendida do que um mundo de máscaras, personas e aparências. Entenda esse PS2 como quiser, XDD.

8 Comentários

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8 Respostas para “Por Que Assistimos Anime?

  1. Sinto instintivamente que o título deste post está errado, senhorito Cuerti ;D
    De qualquer forma, me senti entrando dentro de sua mente, através de aparelhos hi hi hi – Boooommm, vou opinar sobre o que??? XD

    Por que eu assisto animes? Por que eu assisto filmes? Por que eu assisto seriados? Isso é algo que fazemos por diversas razões. Diversão, aprendizado, trabalho. Assistir qualquer entretenimento, é como se sentar e assistir a vida dos outros, assistir uma história e se entreter. Claro que, juntamente com o lazer, você não precisa abandonar o seu senso crítico.

    Mas o post não é sobre essa obviedade, é uma crítica ao “sistema” e divagações que achei bem pertinente. Muito embora eu tenha dificuldade aqui em formular uma boa resposta, por não conseguir me centrar em um foco especifico do post.

    • Eu mesmo sei que está errado – foi feito para chamar a atenção e colocado antes do post ser construído. Mas IMO traduz o espírito desse caos criativo que você acabou de ler.

      Sim, as razões porque vemos isso são múltiplas, mas acho bem válido focar no binômio arte e entretenimento.

      E bem, achou… pertinente mas parece tão confusa em dizer algo como foi este post. LOL.

  2. Sinto que esse texto foi uma resposta ao da Mazaki (meio confuso,mas, tá valendo Qwerty). Eu,como não tenho medo de dar a minha cara à tapa (mentira ~ sou só uma intrometida mesmo), vim dar a minha opinião. Percebo que as pessoas que são “vítimas” – perceba as aspas – das críticas da Mazaki (e daquela minha,já esquecida ), só se pronunciam quando leem algo que defenda os seus interesses (vide o texto do Panino teve uma boa repercussão entre os blogueiros). Sei lá, é estranho…

    De qualquer forma, só fui me encontrar nos dois últimos parágrafos do seu texto. (aquele “ah,tá, então, era isso o que ele queria dizer!”). Mas, ó, “arte e entretenimento” é pouco pra se assistir um animê (só o meu ponto de vista,claro). Assistimos animês por prazer. Tá bom que muitos só assistem como distração (quem não faz isso..?). Deve ser o mesmo tipo de fruição obtida quando lemos um livro/quadrinho, tem muito a ver com o aquilo que nos proporciona alguma satisfação (sem conotações sexuais, aqui, por favor). Claro que, ao falar de animês, entramos naquela questão de “tipos” (assim como existe literatura de “boa” e de “baixa” qualidade. Daí você tem – fazendo uma comparação tosca – um livro de José Saramago e um “Sabrina”, romance de banca de revista), mas, quem sou eu para julgar se algo é bom? (Afinal, sou fangirl de várias séries…).

    Sinto que me perdi nesse meu comentário.. Enfim, como eu falei, esse é só o meu ponto de vista. Pra mim, o que conta num animê: Arte, história, bons personagens. Se tiverem esses elementos, será um bom entretenimento.

    • Como disse, o texto tem várias linhas de abordagem. E sim, esta é uma delas, ser uma resposta a uma opinião que acho algo ingênua e algo estúpida.

      E as pessoas só não leem seus textos porque IMO falta marketing, perdão. C’est la vie, falta mais faro comercial nesse ponto. HEHE.

      Bem, arte é uma coisa, entretenimento, outra. Tem vários pontos de convergência, mas espero que o texto tenha ajudado a diferenciar esses dois conceitos.

      E não só são animes que tem os feitos para a crítica ou para o público, qualquer “arte” digna de aparecer no “Caderno 2” está sujeita a isso. Até balé.

      Artigo tá perdido, o comentário também, aí a resposta é pior ainda. Tá lindo isso.

  3. Legal esse texto .Acabei entrando na sua mente .Resumindo existem vários motivos para assistimos animes .Cada um tem um aspecto quer o atrair mais ,tem pessoas que gostam mais de terror outras de comedia outro de animes de romance e outros de animes porrada .Eu por exemplo gosto de anime que me faça refletir como Monster ,Legend Of The Galactic Heroes ,Kino no tabi ,Mushishi .

  4. Pss

    Começou totalmente se vendendo como Imprensa Especializada DE VERDADE (pff).

    “fique a vontade para ler [caso tenha vindo direto para cá]” Euri.

    Agora, falando sobre o conteúdo do post, eu tenho um blog extremamente tendencioso, mas sempre ressalto isso e procuro evitar ser ofensiva, porque há gosto pra tudo nesse mundo.

    Assisto animês puramente como entretenimento, não consigo considerar nem cinema arte, quanto mais animês! Mas ainda no ramo do entretenimento há um nível de qualidade a ser exigido, além do fato de que alguns gêneros me entreteem e outros não, e as vezes simplesmente não consigo qualificar minimamente coisas que não me agradam – por isso sou tendenciosa.

    Agora, não só não acho que seria legal se as visões de mundo fossem compatíveis como também não vejo necessidade de “discussões violentas” – o que custa apenas expor sua opinião e aceitar que o outro tem outra? Ninguém é obrigado a gostar do que eu gosto e ponto. Eu falo o q gosto e o porque do gostar, vc faz o mesmo e termina por aí.

    Esse sem dúvida foi seu texto mais instável e pessoal até agora, dos que li, e também o mais prazeiroso, por isso mesmo.

    P.s: WTF ESSE SOBRE O AUTOR “Complicado e perfeitinho” e GAY?!?!

    • Talvez tenha exagerado no , mas acho que discussões e divergências de opinião fazem parte do ser humano e não devem ser suprimidas porque é “politicamente correto”. Melhor que se esconder sob a máscara da hipocrisia.

      Bom revelar esse lado “instável e pessoal”, mas o leitor médio [que não fica no Twitter] deve ter ficado confuso sem necessidade. Qualquer dia pego as ideias desse texto e reaproveito-as de forma mais lógica e consistente.

      E… tanta gente para apostar em homossexualidade na otakusfera e vem com essa? NEMVEIM, deixa a pecha para o Leonardo Kitsune mesmo.

      • Pss

        É disso q falo, não precisa ser poiticamente correto. Só precisa ser tipo “Na minha opinião isso não merece sequer ser chamado de lixo. ->Mas se você gosta problema seu<-"

        Eu sou a favor da crueza humana, de qualquer forma, a releitura vai me parecer… Meh.

        Kitsune? Acho q vc tem mais pinta, hein?

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