BLOOD: The Last Vampire

Lado A – Sem Spoilers

Yokota, Outubro de 1966. É para onde a protagonista Saya, sua menina com cara de má, bocão, twintails e sempre carregando uma katana [espada típica japonesa] vestida com uniforme escolar “de marinheiro” [sailorfuku], é alocada em uma missão que visa exterminar alguns demônios [mais especificamente chamados de Chiroptera, em referência a classe a qual os morcegos pertencem na classificação das espécies] presentes em uma escola mantida nesta base militar norte-americana em território japonês.

É dessa premissa simples, da qual omitimos a verdadeira “protagonista” da história [pensando-se em um contexto mais narrativo] além de alguns outros plot twists presentes, que o filme de animação japonesa criado e planejado pelo famoso estúdio Production I.G. tira sua força.

Inclusos os longos créditos, temos um média-metragem de 48 minutos que é uma abordagem japonesa a filmes de ação com toque de horror americanos. Tanto é assim que é proposital a ambientação que mistura os Estados Unidos e o Japão [tanto que a ação acontece no Halloween, feriado por excelência dos EUA]; note que o principal twist japonês na história é sua protagonista, com seu nome, roupa e espada – porque o character design cabe com certa facilidade em uma série não-japonesa não influenciada pelo “estilo anime”.

E o principal trunfo da série é o ritmo alucinante e a execução muito bem feita. Blood: The Last Vampire é um anime em que o roteiro preocupa-se em ser simples e coeso [e ainda tem tempo de deixar pontas soltas intencionalmente para atiçar a curiosidade de muitos] para que a animação e a direção brilhem, como deve ser.

A primeira sofre em parte pelo CG datado [como todo CG feito em 2000; época do lançamento de Toy Story 2 e pouco antes de Shrek – sim, o primeiro], mas a animação normal é primorosa. Muitos podem não achar o character design bonito [e a intenção não é esta] e a arte em geral é simples para um filme mas a animação é muito bemp-feita, e as cenas de luta justificam eventuais reclamações pelo tempo de duração exíguo do média [e vale lembrar que o roteiro é na medida certa quanto a isso].

Já a direção é realmente muito boa, sabendo articular em um tempo curto um roteiro que facilmente poderia tornar-se um longa-metragem em uma escalada progressiva, natural e efetiva. Mesmo o espectador não tão atento facilmente fica imerso no contexto da trama, e as poucas mas boas viradas que dão o tom do roteiro são entregues de forma razoavelmente básica, mas muito eficiente.

Assim, Blood: The Last Vampire é um filme raro [por ser produzido no Japão e possuir certa identidade própria] que virou clássico talvez pelas “razões erradas” [afinal, um anime cujo título significa Sangue: O Último Vampiro é prato cheio para, com o perdão do clichê, um público adolescente com toque nerd que adora violência, até extrema [gore]] mas que é um belo tiro de escopeta; curto, grosso e sangrento. Recomendado. [o artigo continua na segunda parte; recomendo que veja o filme antes de ler – SPOILERS sem dó e piedade]

Lado B – Com Spoilers

Blood: The Last Vampire basicamente mostra um recorte na vida de uma vampira, Saya, através da visão de uma enfermeira que trabalha em uma escola localizada em uma base americana do Japão. Esta é a protagonista, apesar de ser algo revelado gradualmente ao longo da obra, culminando na conclusão temos o plot twist final revelado para ela através de uma foto muito antiga de Saya.

Ali, finalmente o comportamento da aparentemente jovem menina de cabelos trançados e lábios grossos faz todo o sentido para o espectador mais lerdo; e dez anos depois o lançamento do filme, consegue ser ainda mais atual na “Geração Crepúsculo”, aonde os “vampiros” [com o perdão dos fãs de Stephanie Meyer, os seres sobrenaturais de sua autoria abusam da liberdade criativa para se encaixarem plenamente nesta palavra.

É como se chamasse “laranja” de “vermelho” devido a proximidade entre as duas cores] não se importam em viver a vida escolar indefinidamente – ora, ser adolescente é um rito de passagem [cada vez maior, em parte a cada vez maior expectativa de vida existente | e esse é um assunto que vale uma boa digressão mesmo neste blog focado em animação japonesa], porque diabos gostar disso quando se passou da idade?

Nossa idosa em corpo de menina não está nem aí para nada; assim, ela fica sendo estilosa para você que assiste Blood como um bom esquete de ação [alguns classificam o filme como horror, mas sinceramente pode assistir com uma boa pipoca do lado porque não contém uma cena digna de medo para uma pessoa normal] e melancólica se também vê a fita como um drama.

E o tom desta resenha, talvez elíptica demais, mostra o quão é exagerado querer analisar em excesso uma obra simples; fora a agonia que deve ser estar na pele de Saya, última conhecida de sua rara espécie em estado puro [os monstros que ela combate são versões mistas, impuras do que seria um vampiro em Blood – a forma verdadeira de Saya não é mostrada e provavelmente não existe, justamente por esta ser “perfeita” [logo, humana]] que por isso mesmo é usada como arma e mantida em uma “liberdade” muito relativa.

Afinal, é basicamente uma obra aonde os personagens [que também inclui os três vampiros imperfeitos/chropteras que Saya enfrenta e os dois oficiais que a ajudam/prendem] são meras ferramentas que servem para contar a história. Aí outro aspecto da obra que contraria o cânone da atual era dos animes cujos roteiros são sacrificados prontamente em prol dos personagens.

Assim, após essa análise geral [e uma obra pequena nem necessita de algo mais detalhado que isso, até para evitar debandar para a transcrição do anime – algo tão desnecessário mas as vezes presente em certos reviews] Blood: The Last Vampire é uma obra que vale assistir uma segunda vez? Sinceramente, não.

Muito simples para isso, até mesmo na animação – não tem camadas adicionais de movimentação para você ficar olhando [e pensando bem, só o fato de ser muito competente na primeira camada é digno de nota], nem a ação é rápida/confusa o bastante para justificar uma segunda olhada. E o roteiro é claro o suficiente da primeira vez, sem nenhuma grande surpresa que valha uma segunda olhada em prol de um segundo ponto de vista.

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