Shoujo na Grama #02 – Zettai Kareshi e a perfeição que não existe

A adolescente complexada por não ter atrativos físicos e só ser rejeitada pelos garotos aos quais se declara, conhece um cara estranho que lhe dá o endereço de um site. O tal site propõe a ‘montagem’ de um namorado perfeito. Entretanto, até que ponto vai essa perfeição?

Zettai Kareshi é um mangá de Yuu Watase lançado pela Shogakukan em 2003. A obra foi publicada no Brasil pela Conrad em 2007 e conteve os mesmos 6 volumes da versão japonesa, inclusive mantendo as mesmas capas. Em 2008 também tivemos a adaptação em versão dorama contando com 11 episódios mais 1 especial.

Izawa Riiko é uma adolescente, estudante do primeiro ano do colegial que nunca namorou e sempre foi rejeitada pelos caras aos quais se declarava (sensor de clichê apita neste momento). Seus pais estão quase sempre viajando a trabalho portanto ela praticamente mora sozinha. Seu apoio, principalmente no quesito alimentação, é Asamoto Soushi, seu vizinho e amigo desde a infância. Outra personagem importante, que faz o papel da melhor amiga, é Mika. Ela aparenta ser aquela amigona de todas as horas, mas sua frases do tipo “Eu só quero o que é dos outros! Os namorados dela é que me interessam!” e suas armações à lá vilã de novela mexicana deixam claro que ela é uma amiga da onça (ou outro adjetivo de baixo calão que você, leitor (a), preferir); por outro lado, após ser desmascarada, esta personagem que ainda poderia render alguma coisa literalmente some, ela não aparece mais em nenhuma cena do mangá e nem sequer é citada.

Depois de se declarar para um colega de escola e levar um fora – tudo armado pela melhor amiga, diga-se de passagem -, Riiko acaba encontrando um cara muito estranho, com um visual esquisito e que se diz vendedor. Em seu cartão, está o nome de Namikiri Gaku, representante da empresa Kronos Heaven e o link de um site. Ele diz à moça que se acessar vai poder encontrar o namorado perfeito… Mal imaginava ela que iria literalmente montar um namorado com todos os detalhes à sua escolha.

 Levando na brincadeira, a jovem acessa o site e cria um namorado com inúmeras qualidades. Alguns dias depois ele lhe é entregue lacrado em uma caixa. Sim, um homem com TODAS as qualidades possíveis e encaixando-se exatamente dentro do seu perfil e de seus gostos, é claro que só poderia ser um robô! O boneco é da coleção Nightly Series – adaptado para “Amantes Noturnos” – e é o primeiro protótipo de “amante/namorado-robô” da Kronos Heaven: Riiko teria três dias de teste grátis com o “eletrodoméstico” bonitão e perfeito. Para ligá-lo, era necessário que ela lhe desse um beijo (bem diferente do método de ligação da Chii, em Chobits, porque né…).

O robô é nomeado por Riiko como Night (criatividade over 9000) e parece que todos os problemas dela se acabaram, ele é atencioso, gentil, sabe fazer de tudo e, como dito por Gaku, “dá até 30 numa noite”, até porque ele é de uma série de amantes. Riiko por ser “pura e inocente” não usaria Night para isso e num primeiro momento está ciente de que ele não é humano e só está praticando as ações a partir de uma pré-programação. Porém, ao mesmo tempo ela é a típica protagonista insegura e com baixa autoestima, ou seja, ela vai acabar se encantando com a gentileza dele, a forma como a qual ele a protege e a agrada.

Papo de vendedor é algo, tem que ter talento, e isso se reflete em Zettai Kareshi também. Riiko teria os três dias gratuitos para teste, só não contava que teria um horário específico para fazer a devolução da mercadoria e com isso adquiriu Night e uma dívida de 100 milhões de ienes e sendo uma colegial, como conseguiria pagar essa dívida?

A partir daí começa uma função, ela procura vários empregos, acaba caindo numa casa de acompanhantes, mas Night descobre e toma a iniciativa de trabalhar no lugar dela, já que tem consciência de que o sacrifício é por sua causa. Ele chega a ser garoto de programa, e, como reconhece sua namorada através do beijo, ele acaba trocando de namorada e é aí que Riiko começa a perceber que está realmente gostando do “objeto”.

E o Soushi? Quando percebe que Riiko já não está mais sozinha, ele resolve assumir o sentimento que todos nós já sabíamos, até antes de abrir o mangá: vai lá e se declara para ela. A partir daí temos a indecisão de Riiko, se ela fica com o andróide feito sob-medida para ela ou com o cara que sempre esteve junto dela desde a infância. Acredito que a resposta automática, bem, pelo menos seria a minha, é a escolha por Soushi, já que ele é humano e possui a capacidade de sentir, entretanto, não é isso que Riiko pesa em sua escolha, senão seria muito fácil e teríamos um mangá de um volume apenas. Ela se sente dividida pelos dois e Night não é apenas um robô estático, ele simplesmente ignora a afirmação de que é uma máquina passando a ter sentimentos e a prova disso é o ciúme que sente quando Soushi está por perto. Está na hora de ligar o botão da suspensão de descrença.

Sobre o aspecto técnico, confesso que gosto muito do traço da Yuu Watase, por isso sempre ‘puxo a brasa’ para o seu lado e digo que o traço é lindo! Sem contar os vários bonitões que ela traz para suas obras permitindo a criação de um “harém inverso”… Agora, no aspecto da história, Zekkare tem alguns furos e também é bastante previsível: no início de um capítulo ocorre uma situação que já deixa claro como vai terminar no final, então não há muitas surpresas.

Algumas personagens não são muito bem exploradas, o próprio Soushi às vezes fica para escanteio tornando a competição pelo coração de Riiko bastante injusta, apesar de ele ter a vantagem dada pelo fato de ser humano. Em alguns capítulos ele aparece apenas cozinhando e não tendo nenhuma atitude importante, fato que desmereceu – e muito! – sua atuação.

Mas afinal de contas, o mangá é bom? É, é bom sim, e é engraçado, o Night é sim uma graça, agora, dependendo de para quem você “torce”, as atitudes das personagens, principalmente da Riiko, podem se tornar muito irritantes. No meu caso, acredito que minha suspensão de descrença está um pouco falha porque tem certas coisas ali que não deu muito bem para engolir… Mas sendo a Yuu Watase, eu dei um desconto e recomendo o mangá, já que é uma leitura relativamente curta e agradável, apesar dos pesares.

dorama, em vez de ser ambientado na vida escolar, nos mostra  uma Riiko adulta e independente cujo sonho é ser uma patissier. Ela trabalha na empresa de doces ocidentais Asamoto e Soushi é um dos seus patrões. A princípio ele é um cara que não está ligando para nada, nem para trabalho, muito menos para um relacionamento sério com alguém. Ele passa a imagem de “garotinho-rico-mimado-rebelde”… Até que experimenta um dos bolinhos de creme que ela faz e lembra-se dos que o seu avô fazia, daí começa uma reviravolta na personalidade dele.

A forma como Night entra na vida de Riiko é quase a mesma, mas até certo ponto da história ela age de forma sensata ao encará-lo como um eletrodoméstico que pratica ações a partir de um programa. A história decai (IMO) quando ela resolve “chutar o balde” e assumir que tem sentimentos por ele. Ao contrário do mangá, não é tão fácil assim aceitar que Night pode ser um humano, muito pelo contrário, o ator faz questão de andar e se mexer como se fosse um androide de verdade, ou seja, é muito chato e não convence.

Em contrapartida, o dorama consegue ser muito engraçado, confesso que me diverti muito assistindo, claro, até começar a parte do dramalhão mexicano… O especial então nem se fala, tem até uma pitada de Matrix na coisa, um exagero desnecessário, um especial desnecessário que em nada muda os rumos das personagens no final, apenas estica um fato que já havia terminado e não teria conserto, ou seja, é totalmente dispensável.

Quando as coisas parecem muito perfeitas é porque tem algo errado. Night era bom em tudo, bonito, carismático, prestativo, enfim, o sonho da maioria das garotas, porém não era uma pessoa. A essência do ser humano é pode errar, aprender e aproveitar a vida neste curto espaço de tempo que temos disponível e no caso de Riiko, ela aproveitaria ao lado de um jovem que jamais envelheceria e que de uma hora para outra poderia virar sucata.

Histórias de robôs sempre são instigantes e nos fazem pensar se um dia as máquinas poderão ter sua “independência” e a capacidade de sentir, como naquele filme ” O Homem Bicentenário”. Em todo caso, a história de Zettai Kareshi não é tão profunda nesse quesito de ficção científica, é apenas um mangá de comédia romântica, então, querem saber de uma coisa? Não façam como eu, tentem se desligar totalmente da realidade e aproveitem!

1 comentário

Arquivado em Reviews, Shoujo na Grama

Uma resposta para “Shoujo na Grama #02 – Zettai Kareshi e a perfeição que não existe

  1. Que fita! Acho que o público alvo tenha gostado do mangá, mas ele não é meu gênero preferido… se for pelo romance, nada mais previsível; se for pelas risadas, existem outros tão engraçados quanto e até com um enredo melhor.

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