Guilty Crown

Code Geass ~Hangyaku no Lelouch foi, juntamente com Suzumiya Haruhi no Yuuutsu, o anime que definiu a década de 2000; e desde 2006 que a mistura explosiva que é responsável pelo enorme sucesso deste tem sido copiada a exaustão por outras obras; seja por algum elemento isolado, seja por tentar realmente recriar o sucesso da obra de Goro Taniguchi. Claro que podemos falar que um Star Driver tem muito de Geass, mas Guilty Crown sem dúvida é a tentativa mais concreta de fabricar um sucesso nestes moldes.

O anime de vinte e dois episódios transmitido no conhecido bloco noitaminA de Outubro/2011 a Março/2012 apoia-se em um tripé básico estabelecido logo em sua produção: tem aquele toque de refinamento visual bem característico do estúdio de animação Production I.G. aliado tanto a loucura que caracteriza o estilo de direção de Tetsurou Araki [Death Note; Highschool of the Dead] quanto a inúmeros elementos na medida para atrair um fandom mais hardcore: aqui convergem as músicas do supercell e o character design de um dos artistas do grupo, o competente redjuice, que conseguiu até mesmo encaixar de forma algo natural as famigeradas orelhas de gato em uma personagem.

Com um time destes envolvido, era óbvio que o objetivo aqui era pura e simplesmente divertir o espectador; claro que antes da estreia pensou-se na possibilidade de um entretenimento com algumas camadas que permitisse uma parcela maior de espectadores a admirarem o anime [por motivos diversos], mas logo percebeu-se que não era nada disso. Ao contrário, Guilty Crown pretendia mesmo é andar na corda bamba aonde qualquer movimento em falso era a senha para abrir todo um mundo cheio de estupidez.

E sim, como esse anime [voluntariamente?] consegue ser estúpido. Podemos dividi-lo em duas partes mais ou menos equivalentes a famosa divisão existente no Japão chamada cour: com dois períodos de três meses cada disponíveis, GC acabou sendo um anime claramente dividido em duas fases.

A primeira destas é uma grande introdução a história e apresentação de personagens com um ritmo algo arrastado e certos tiques de episodismo: em vez dos clássicos e famosos monstro da semana, muitas vezes aqui tínhamos era a explosão da semana, na medida para agradar certa fatia do público. E como essa série tem fatias de público.

Se a crítica acaba sendo bastante mista quanto a série, sem dúvida o interesse popular é gigantesco; como podemos ver aqui, em Março/2012 GC foi pesquisado no Brasil como nunca o muito popular Deadman Wonderland conseguiu. E isto tem motivos bem claros, da produção afiada [como veremos abaixo] ao gigantesco esforço do enredo a agradar dos punheteiros aos debatedores de internet até mesmo a quem quer somente sentar e desligar o cérebro por 22min50s semanais.

E se até o sensacional episódio 12 – sem dúvida nenhuma, o ápice da série – o primeiro cour foi, apesar de maluco, lento, a partir de então o ritmo tornaria-se frenético. Em tom de brincadeira podemos mesmo dizer que temos aqui uma série sem SPOILER, tal o ritmo aonde fatos acontecem para serem reescritos um ou dois episódios depois. É o circo disfarçado de enredo passando como um trator em cima dos personagens. De todos eles.

Se pudéssemos elencar porque diabos Guilty Crown foi esse sucesso de vendas moderado [claro, pela ambição imensa que emana do próprio anime; as contas foram todas pagas e ainda sobrou dinheiro suficiente para ninguém sair com a imagem queimada] a primeira e principal razão a ser dita são os fracos personagens.

Rascunhos de personalidade em sua concepção, ainda tem que sofrer com o fato de serem meros joguetes na construção da série pelos seus responsáveis; assim, todo mundo acaba sendo marionete que muda repentinamente de atitude ao sabor do enredo – e a vítima mais óbvia e frequente deste fenônemo foi justamente o protagonista Shu Ouma, mais uma das inúmeras cópias de Shinji Ikari espalhadas pelos animes.

E se Shu é Shinji, Inori Yuzuriha é Rei e Guilty Crown, mais uma obra feita à imensa sombra de Neon Genesis Evangelion. Code Geass, Evangelion, sim, o objetivo aqui é passar o que for possível da animação japonesa no liquidificador, coar, embalar graciosamente e servir ao cliente da forma que este achar mais justo: idol, tsundere – cadeirante! – ou agitada e com orelha de gatinho. Não tem como negar que, mesmo com a obra transcendendo o nicho, Guilty Crown tem alma otaku.

Personagens vazios em enredo que fica satisfeito em ser uma mera colagem de influências ajuntadas em um traço de roteiro, o que afinal um anime do mesmo diretor de Death Note poderia fazer? Ser xXxTrEmO, oras.

Um anime como Gurren Lagann acaba se destacando por conseguir passar esse adolescente e jovial ao mesmo tempo em que tudo é ao mesmo tempo natural e precisamente maquinado principalmente por seu diretor Hiroyuki Imaishi; já Guilty Crown realmente parece feito por um adolescente tão impulsivo quanto os personagens expostos na tela e que coloca o ser cool e a busca em surpreender o espectador em primeiro plano.

O resultado é que o termo diversão descerebrada há tempos não fazia tanto sentido em um anime; e assim, pena os dois episódios finais voltarem a ter o feeling anterior rumo a conclusão anticlimática da série.

Para o espectador que realmente considera Guilty Crown como algo digno e de qualidade, ficou a sensação de um final bom que realmente amarra as poucas pontas escolhidas pelo roteiro a ter este privilégio; já muitos ficaram no mínimo com gosto amargo na boca, tanto por tanta expectativa acabar em algo não só clichê [oras, a série é toda sobre isso] mas que tenta ser contido quanto pela correria generalizada e desnecessária que acontece.

E assim este verdadeiro blockbuster acaba perdendo a chance de ter seu nome gravado na história dos animes. Claro que muitas águas irão rolar ainda por baixo desta franquia que pode sim ganhar uma nova animação a depender principalmente da popularidade da Visual Novel derivada Lost Christmas, mas o fato é que Guilty Crown acabou sendo somente um grande pipocão.

Vale a pena assistir? Só se realmente quiser em entreter em uma obra que até consegue ser fácil de assimilar e envolvente – desde que não tente de forma alguma levá-la minimamente a sério. Questão de opinião; o fato é que esta cópia simplesmente ficará como uma lembrança do começo da década de 2010, do jeito como então se fazia blockbuster. Uma pena, potencial é o que não faltava.

Agora, hora do parêntese para falar da parte técnica.

Sem dúvida Guilty Crown merece muitos elogios, desde o conceito criado por redjuice até o resultado final apresentado pelo conceituado Production I.G.. Mas apesar de ser sem dúvida um anime aonde muito dinheiro foi investido para que pudesse ter o resultado que teve, ainda ficou restrito aos limitados padrões da indústria de animação japonesa.

E assim acaba focando-se em ser bonito, principalmente na bela camada de fotografia que é cortesia do apurado senso técnico dos experientes membros do Production I.G.; porém, a animação acaba sendo bastante irregular, com diversos e belos momentos convivendo junto com outros em que a câmera treme para dar sensação de movimento; o que é normal em muitos outros lugares soa barato dado o restante do pacote.

Já a trilha sonora, das músicas providenciadas pelo supercell [que neste cour também assumiu o parceiro [de bloco e comercial] BLACK ROCK SHOOTER a trilha instrumental Hiroyuki Sawano, são muito boas per se, até mais do que seu encaixe [acima da média], e complementam o clima agradável da série.

Quer uma segunda opinião acerca da série? Que tal ir lá no Gyabbo!?

8 Comentários

Arquivado em Reviews

8 Respostas para “Guilty Crown

  1. cheffercs

    concordo sem 100% no que foi publicado acima

    anime foi tremendo de um pipocão

  2. Mas foi uma merda boa, esperando pelo OVA e a animação do Lost Christmas

  3. Projeto Verena

    Uma série que divide opiniões. Eu acho que ele foi um bom anime mediano.

  4. Gustavo

    Como você disse a parte técnica ficou boa, na minha opinião ficou acima da média. Mas a estória foi muito mal feita, vergonhoso até capricharem tanto no visual e esquecerem de todo o resto.

    Agora só uma dica: Cara revisa os textos, teu texto tava sofrível de ler com tantos erros de concordância.

  5. Preconizador

    São os sites de resenhistas que não sabem dizer se é bom ou ruim. Há poucos sites que se empenham tanto assim.

    • “mas o fato é que Guilty Crown acabou sendo somente um grande pipocão.”

      Precisava ser mais claro? IMO, Guilty Crown é como o Transformers do Michael Bay, um pipocão. Tem gente que acha isso bom, tem gente que não.

  6. Ryuu

    kd 1 tem sua opnião… pra mim o anime só poderia ser melhor se tivesse mais eps… ta perfect quem n gosta foda-se

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