Abril/2012: Primeiro Episódio, Parte 1 [ATUALIZADO]

Primeira parte da proposta de Primeiro Episódio para esta temporada com reviews [muito] curtos e precisos sobre o máximo de estreias possíveis da temporada de Abril/2012. Boa leitura!

Accel World
Nota: 71/100

Depois de Kyoukai Senjou no Horizon, será que o raio caiu duas vezes no Sunrise?

Accel World é mais um tudo junto e misturado pega-otaku na linha que engloba animes tão diferentes quanto Guilty Crown e To Aru Majutsu no Index: temos ação e romance, comédia e drama, fetiches e fetiches espalhados em uma história que se preocupa simplesmente em ser entretenimento vazio de conteúdo e com discurso reafirmador na medida para o público-alvo: venha cá, o mundo real é uma merda mas aqui é divertido – principalmente pelo fato de termos uma [não, várias] meninas moe disponíveis para VOCÊ.

Se este discurso é válido fica nas mãos do espectador, o importante é que a série entrega um Primeiro Episódio divertido e bem-dirigido a ponto da apresentação dos diversos pontos abordados aqui fazerem sentido, os efeitos pretendidos realmente acontecer e ao final de 23min40s já estarmos razoavelmente conscientes do que esperar aqui; para algo que não pretende ser mais do que pipoca com Coca-Cola está de ótimo tamanho e vale sim um sete por cumprir de forma competente o básico; pena que é só isso que podemos esperar aqui.

Alto: Ritmo gostoso de se assistir; visuais aguçados.
Baixo: Falta de personalidade.

Acchi Kocchi
Nota: 50/100

A sua escola é/foi mais divertida que a dos personagens deste anime.

Acchi Kocchi é uma adaptação de mais uma tirinha em formato 4koma [quatro quadros em estilo manga e posição vertical] que trata da vida cotidiana qualquer de um grupo de amigos qualquer em uma escola qualquer. Ponto. A grande questão que fica na cabeça do espectador após este Primeiro Episódio acaba sendo por que isto ganhou um anime?

Porque é moe o bastante.

Tudo é fofo e doce como um marshmallow – infelizmente, também branco, genérico e sem vida. Não é ruim, mas é indiscutivelmente chato e no geral uma grande perca de tempo [e uma pequena de dinheiro, afinal é animado da forma mais simples possível] para o espectador. Há animes fofos melhores e, quem diria, com muito mais personalidade do que esse.

Em duas palavras: sem sal.

Alto: Fofo.
Baixo: Nada além de… fofo.

Eureka Seven AO
Nota: ??/100 [racionalmente, 70/100]

Após sete longos anos, Eureka Seven volta com tudo à TV japonesa; com tudo mesmo.

Agora com somente 2-cour [provavelmente 25 episódios] para contar uma história de drama e romance recheada de ação entre mechas, construção de mundo e politicagem Eureka Seven AO resolve trilhar um caminho bastante ambicioso em que aspira não dar qualquer chance do espectador respirar imerso em tantas informações novas, de um amplo technobabble bem modificado em relação ao existente na Primeira Temporada a uma narrativa até centrada em seu protagonista mas que não deixa de querer explorar diversas outras vertentes.

Infelizmente a ambição acaba sendo grande demais para a capacidade de principalmente o diretor Tomoki Kyoda contar esta história de uma forma precisa e certeira; sem dúvidas há diversos pontos altos aqui [principalmente a sensação do pequeno mundo de Ao ser praticamente destruído ao final do episódio] e muita coisa que foi jogada aqui deve ser explorada com a devida calma mais para frente, mas falhou em simplesmente segurar a atenção de um público maior que acabou vindo para testar este Primeiro Episódio ao ser bom, mas terrivelmente irregular.

É muito bom ver finalmente Eureka Seven em HD [mesmo que o visual acurado não impressione tanto como em 2005] em uma série que não tem medo de sair da sombra da anterior, mas ainda falta ser bom. Mesmo assim, o grande azarão desta temporada, que pode surpreender aos poucos que embarcarão nesta jornada. E aí?

Alto: Ambicioso.
Baixo: Confuso.

Kuroko no Basket
Nota: 65/100

Seu sports shounen da temporada executado de uma forma incrivelmente tediosa quanto seu protagonista.

Aliás, o grande “diferencial” propagado pela série é justamente o fato deste ser praticamente um anti-protagonista: sua principal qualidade, e o fato porque apesar de ser até abaixo da média para jogadores colegiais de basquete ter sido membro da famosa Geração dos Milagres, é sua habilidade em desaparecer-se quando necessário. Livre de marcação, pode ser a pessoa que conduz a bola com refinamento de uma ponta a outra da quadra de basquete.

Pena este estar completamente ausente desta adaptação da obra da Shounen JUMP que prima em simplesmente jogar a história na tela: animação, trilha sonora, nada contribui para isto ser mais do que simplesmente páginas animadas, colorizadas e sonorizadas a esmo. Mediano, esquecível, até um pouco fraco.

Mesmo um grande forte da demografia shounen que são personagens carismáticos acaba existindo aqui menos intensamente do que deveria ser: a química entre Kuroko e Taiga, e sua relação de amor e ódio na medida para também as fujoshi viverem as suas fantasias molhadas, é o melhor do anime – mas também é só isso. Uma pena.

Alto: Relação entre a dupla de protagonistas.
Baixo: Edição fraca.

Jormurgand
Nota: 69/100

E se um filme vindo diretamente do Domingo Maior virasse anime?

Jormurgand, baseado em um reconhecido manga recém-finalizado na Monthly Sunday GX, virou aqui nas mãos do estúdio WHITE FOX e do diretor Keitaro Monotaga [ambos envolvidos em Katanagatari] um anime que ao menos em seu Primeiro Episódio consegue ser bastante divertido pelos mesmos motivos de um filme B: ação desenfreada misturada com falatório pseudo-técnico sobre armas e o submundo criminoso do qual os personagens fazem parte que somente reafirma… a ação.

Mas claro, isto aqui ainda é um anime: assim, os personagens acabam sendo algo similares aos de Steins;Gate [mesmos animadores, lembra?], com quem compartilha um orçamento ridículo – assim, é inevitável a presença de horrores de CG mal-feito e todas as outras medidas necessárias para fazer a conta fechar. Ainda assim, consegue ser assistível neste aspecto.

Assistível é uma definição que acaba também servindo para outras situações presentes na série, principalmente a edição que acaba não ajudando; tudo acaba sendo um pouco mais confuso do que deveria, e apesar do roteiro traçar algumas linhas a serem desenvolvidas aqui, o resultado acaba não sendo bom como o o esperado.

Claro que mesmo assim é algo diferente do que costuma-se ver: e sem dúvida Jormungand, referência a uma cobra da mitologia nórdica, pretende mais para a frente falar sobre algo. Pena em parte que até aqui contenta-se em ser divertido.

Alto: Cenas divertidas com ação frenética.
Baixo: Animação fraquíssima.

Lupin Sansei: Mine Fujiko to Iu Onna
Nota: 77/100

O projeto feito para comemorar os quarenta anos de um dos animes mais icônicos existente finalmente leva o ladrão mais adorado pelos japoneses para as madrugadas em um anime profundamente estiloso e focado em agradar [jovens] adultos [e demais nostálgicos].

Lupin the III perde um pouco do ar cartunesco e leve presente ao menos desde a segunda [e mais conhecida] versão do anime em uma tentativa de ficar clássico e sexy, o que acaba afastando um pouco da essência de uma franquia tão longeva [o que acaba dividindo opiniões entre os fãs pregressos desta].

Artisticamente impecável para uma série de televisão, pode com vasto orçamento e uma equipe talentosa a disposição entregar um resultado que é uma festa para olhos e ouvidos; pena o roteiro escorregar um pouco nesta introdução dos dois amantes e rivais e protagonistas – o erotismo aqui acaba sendo um pouco desnecessário e a roteiro é somente bom em um episódio que deveria ser o grande chamariz para a série, o que preocupa.

Divertido e bom, sem dúvida há potencial para algo mais – resta saber se esta promessa se cumprirá.

Alto: Parte técnica impecável.
Baixo: Sisudo demais sem necessidade.

Medaka Box
Nota: 70/100

Seu manga da Shounen JUMP com um toque de Bakemonogatari.

Medaka Box, inicialmente um manga sobre uma garota perfeita [Mary Sue] que, ao ser eleita [veja só, com 98% dos votos] presidente do Grêmio Estudantil decide resolver pra valer os problemas dos estudantes acaba – após ser quase cancelado – virando um battle shounen carregado com o estilo do autor.

E mesmo no início adaptado de forma bastante fiel em uma agradável [mas não criativa] produção do estúdio GAINAX já temos um pouco do que deverá ser esta série [que infelizmente pode ir somente até o fim do arco do Unzen]: uma história básica e com a diversão dependendo do quão curta este estilo carregado de trocadilhos, metalinguagens e demais gracinhas características do autor.

Prioriza o ser cool a uma equipe repleta de personagens carismáticos a la Naruto ou One Piece em um enredo meticulosamente artificial e feito para pessoas experientes na mídia, que são recompensadas por momentos de inspiração do autor no irregular manga – de novo, adaptado fielmente para anime.

Enfim, decente. Pena que somente isso, o que acaba sendo desperdício de uma produção bem-cuidada [mesmo não sendo mais o GAINAX dos “velhos tempos”.

Alto: Produção afiada.
Baixo: Direção insípida.

Metal Fight Beyblade Zero-G
Nota: 43/100

E Beyblade chega a quarta temporada da série Metal Fight em ritmo de série cancelada.

Agora com 15 minutos de duração [dividindo um slot com Bakugan], a ordem é acelerar tudo para contar em 10 minutos [tempo depois de termos abertura/comerciais/encerramento] o básico: nosso protagonista é estiloso, corajoso e tem muita força de vontade; tendo alcançado cem vitórias em sua pacata cidade natal, é hora de finalmente crescer, partindo assim rumo a cidade grande. Ao chegar nesta, consegue de cara vencer todos os oponentes presentes no ginásio da cidade – isto é, até aparecer o todo-poderoso do local. E quando a luta entre estes que se tornarão eternos amigos-e-rivais começa o episódio termina.

O que seria 50/100, o mediano do mediano [em todos os aspectos], acaba sendo prejudicado pela direção que só consegue deixar mais claro o quão isto é batido neste comercial de piões metálicos japoneses. E ser para crianças de 4~8 anos não justifica tamanha preguiça. Muito, muito próximo de ofender qualquer espectador.

Alto: Simples.
Baixo: Clichê.

Nazo to Kanojo X
Nota: 76/100

Mysterious Girlfriend X é fascinante o bastante para ser mais do que simplesmente “o anime da babinha”.

Adolescência, aquela época aonde os hormônios saem do controle e o ser humano em formação se perde com tantas mudanças ao redor de si – e uma destas, na cabeça de muitos destes a principal é: quem será a minha primeira namorada, esta pessoa com quem terei minha primeira noite de sexo amor?

E neste romance seinen publicado na reconhecida revista Afternoon a vida de Akira Tsubaki acaba mudando radicalmente após conhecer a Misteriosa Namorada X, Mikoto Urabe, sua [nada] típica estudante transferida em algum momento do ano de outro colégio diretamente para a sala do protagonista.

E o que poderia ser simplesmente mais uma linda história de amor transforma-se em algo bem esquisito quando este, após acordá-la em um final de período, acaba percebendo certa saliva desta na mesa e… a prova. Após ficar doente [e descobrir que sua gripe na verdade é abstinência, veja só, da saliva] literalmente de amor por esta começa o namoro ao mesmo tempo esquisito, misterioso, atrapalhado e fascinante neste anime com um Primeiro Episódio certeiro nesta que pode ser um dos melhores romances em muito tempo.

Parte técnica certeira [com character design certeiramente nostálgico] que somente é plano de fundo para uma bela apresentação no qual roteiro e direção se juntaram para dar uma bela – e excêntrica – obra ao espectador que passar pelo teste que é livrar-se de certos conceitos para curtir melhor isto.

Deixe seu sapato na porta e entre.

Alto: Direção afiada; história interessante.
Baixo: Não é para todos.

Abril/2012: Primeiro Episódio, Parte 2

18 Comentários

Arquivado em Primeiro Episódio, Reviews

18 Respostas para “Abril/2012: Primeiro Episódio, Parte 1 [ATUALIZADO]

  1. hajimee

    só não concordo com a review de Zetman. O anime ficou um lixo!!mudaram a história demais, só vai fazer sucesso com quem não viu nada do mangá(que é muito bom). Uma decepção, dou nota 50, e só pq pode conquistar quem não leu o mangá.

    • Mas o anime em si em sólido, apesar de concordar que poderia ser muito, muito melhor. “Acontece” – não deveria, mas enfim…

      • hajimee

        sim, o anime em si é sólido, mas se seguisse o mangá, mesmo que apressado, mas sem mudar muito a história( Jin e Kouga amigos!!!como eles fizeram isso!!!), seria muito melhor. Como vc disse, não deveria ser assim, mas….

  2. castro9

    Zetman

    Foi razoável dentro do possível. Digo isso porque quando vi o primeiro trailer acabei estranhado umas cenas que mesmo estando colado com os japoneses na leitura não imaginava onde ocorreram, e depois com a divulgação do numero de episódios somando discreta venda de tankobon caiu a ficha e já passava a imaginar como seria a série animada evitando grandes decepções. Mas mesmo assim ainda fiquei entusiasmado porque o anime é uma grande divulgação para a obra e assim quem sabe o mangá chegar aqui no ocidente e já até aposto na chegada do titulo porque a Viz Media até fez a transmissão ao vivo da estréia.

    Sobre o episódio em si aprovo o recorta e cola feito onde antecipou alguns fatos e retardou outros, e até a já vejo que no futuro alguns telespectadores estranharam um ponto ou outro por achar repentino ou que até caiu de paraquedas no meio do enredo se realmente for trabalhando o que estou pensando que pode ser facilmente deixado de lado, vai ter uma perda significativa mas com o tempo que há acaba tornando-se uma opção valida. Vou parar por aqui antes de adentrar aspectos técnicos como character design e animação porque esse comentário já se estendeu.

    Medaka Box

    Gostei do episódio diferente de Zetman não tenho contado com a obra original o que me levou a botar fé no titulo foi o nome Nisio Isin que mesmo não sendo eu um dos GRANDES admiradores gosto bastante do que ele faz, somando isso a um anime da shonen jump que tem um cuido técnico maior e sendo um ecchi elemento/gênero esse que gosto muito e não escondo ficou difícil dizer não. Mesmo tendo um cuidado maior que a maioria dos animes da jump acabei estranhado as pálpebras e sobrancelhas dos personagens mas nada que denigra o trabalho do Gainax que usou bem as cores e o orçamento mesmo deixando a sensação de economia nesse primeiro episódio. Sobre o enredo e personagens digo que lembra de certa forma os trabalhos do autor, de uma forma até discreta mas lembra principalmente o casal em seus diálogos na medida, comédia e fanservice [ me lembrei da Kanbaru quando a Medaka tirou a roupa].

    Apesar dos primeiros minutos terem sido chatos de assistir depois as coisas tomaram um ritmo legal e familiar, deu até vontade de assistir mais um.

    • Sobre as pálpebras: é característica do character design do manga que foi até bem suavizado nesta versão animada pelo GAINAX – mesmo assim mantendo bem os traços básicos.

  3. Carlos

    Bom… se eles comseguiram fazer 10 volumes de novels em 12 episodios de Zero no Tsukaima….. com um final… razoavelmente bom.

    Adaptar 15 volumes em 13 episodios seria mais facil.
    Afinal novels sao puro texto e mangas tem bem menos coisas pra por.

    • Adaptaram tudo ou simplesmente meteram o facão sem dó? Não vi Zero no Tsukaima, mas Haruhi prova que o ritmo ideal de adaptar uma LN é 6 episódios por livro; já para manga, o ideal é 2~3 capítulos por episódio. E não é o que acontece por aqui…

      • Carlos

        Qwerty fizeram o possivel rsrs obviamente meteram o facao tb, so não ve quem não quer…. + pelo menso axei o final do anime “bom”.

        zetman deve ter o mesmo fim.

  4. Pelo jeito Zetman está tomando conta dos coments. Como o qwerty disse, eu acho que se considerar a animação, essa série está começando bem. Claro que uma adaptação difícilmente se iguala ou supera seu original, mas temos que dar o crédito devido à equipe desse anime.
    Minha única ressalva é o anime ter só 13 ep…. talvez eles comprimam muito a história.

  5. Pingback: PA #02 – ZETMAN | nicemonkeyz.

  6. Jessica

    Zetrap? Não era Zetrape?
    Bem, a temporada tá boa.

  7. Pingback: Abril/2012: Primeiro Episódio, Parte 2 | Nahel Argama

  8. nekomimi

    Realmente, você disse tudo a respeito de Nazo no Kanojo X. Eu assisti a versão fansubada do primeiro episódio da série e posso dizer, sem sombra de dúvidas, que vale a pena assistir a série completa. Aliás, até amanhã à tarde o segundo episódio da série ja terá sido exibido. E em breve veremos como foi. Há muita expectativa, pois é nesse segundo episódio que ela mostra a sua habilidade com as tesouras que ela leva debaixo da saia, presas à calcinha. Se for como no mangá, vai ser hilariante. Mal posso esperar.

    • Todos esperamos; e já confesso que tenho medo de ter errado na dose dessa nota, meio alta…

      • nekomimi

        Pois pode ficar sossegado., pois eu assisti hoje o segundo episódio de Nazo no Kanojo X que passou no último sábado no Japão , e o resultado não decepcionou, muito pelo contrário. As cenas em que Urabe mostra a sua habilidade com a tesoura ficaram muito
        boas, além das cenas de panchira (nas cenas em que Urabe faz uso de sua tesoura), de nudez (por parte dela, é claro), dos sonhos de Tsubaki com Urabe e dos cenários de fundo da série e das cenas de humor. Tudo isso com uma trilha sonora que, em alguns momentos, chega a ser nostálgica. Enfim, valeu a pena assistir o segundo episódio.
        E se alguém ainda tinha dúvidas quanto a série, posso afirmar, com certeza, de que vale a pena acompanhá-la até o último episódio. Principalmente para quem quer algo diferente dos Narutos, Bleachs e Dragon Balls da TV.

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