Abril/2012: Primeiro Episódio, Parte 2

Abril/2012: Primeiro Episódio, Parte 1

Segunda parte da proposta de Primeiro Episódio para esta temporada com reviews [muito] curtos e precisos sobre o máximo de estreias possíveis da temporada de Abril/2012. Boa leitura!

Natsuiro Kiseki
Nota: 67/100

Quatro amigas vivendo um drama sobre… nada.

Nesta produção caprichada do ANIPLEX e Lantis [que produz o grupo idol sphere, amplamente promovido neste anime] com animação do Sunrise, vemos – de novo! – quatro garotinhas moe~ com traços de personalidade na medida vivendo suas vidas moe~.

Só que não é só apenas isso: aqui embarcamos no meio de um conflito entre as personagens Natsumi e Saki que, junto com uma promessa feita quatro anos antes do início desta ao redor, são as duas linhas de roteiro que conduzem um Primeiro Episódio agridoce e meio desconjuntado.

Infelizmente Seiji Mizushima acabou entregando um resultado que parece estar inacabado; não só falta envolvimento com estas personagens sem carisma como mesmo a cena final não soa climática como deveria ser, sendo apenas esquisita.

Drama ou slice of life? Esta é a questão a ser resolvida em Natsuiro Kiseki, até aqui indeciso demais para qualquer coisa; mesmo para manter a diversão em dia.

Alto: Orçamento generoso.
Baixo: Roteiro indeciso.

Queen’s Blade Rebellion
Nota: 55/100

E após uma Segunda Temporada [e OVAs] decente, Queen’s Blade parece querer voltar a ruindade da Primeira Temporada. E quase consegue.

A [falta de] história aqui você já conhece: peitudas em trajes módicos lutando entre si por qualquer motivo genérico inventado pelos roteiristas, tudo isso em um mundo medieval com ótima parte técnica – ou pelo menos era assim até aqui. Se a trilha sonora continua boa como sempre, a animação acaba caindo de nível aqui por conta das restrições orçamentárias existentes [afinal é uma continuação de algo que já não vende tão bem como outrora] – o que é uma pena.

Ao menos neste Primeiro Episódio a nudez e os fetiches se mantém esparsos [infelizmente, o número aqui anormal de lolitas – que ao menos não mostram seus “atributos” – indica que isto pode mudar a qualquer tempo] – infelizmente, a qualidade geral de algo que é somente divertido também. Para os poucos que realmente tiverem tempo e vontade de ver algo que nem na subcategoria ecchi/fanservice de alta tensão consegue ter destaque. Assista a série original.

Alto: Promessa de uma ou outra batalha realmente estilosa; tetas.
Baixo: Roteiro e direção no automático.

Sakamichi no Apollon
Nota: 87/100

Quando a mais simples das sinopses pode ser o melhor anime da temporada.

Baseado no premiado manga josei de Yuki Kodama que usa o plano de fundo histórico para contar uma história clássica de amadurecimento regrada a referências musicais – principalmente a jazzSakamichi no Apollon foi a obra ideal para depois de oito anos fora das telinhas Shinichiro Watanabe, o senhor Cowboy Bebop, voltar com tudo na primeira produção televisiva do MAPPA, o novo estúdio do fundador e principal produtor do MADHOUSE por décadas, Masao Maruyama.

Estes nomes mais os de Yoko Kanno e do bloco noitaminA, que fizeram o hype aqui ir ao infinito e além, acabam resultando em um Primeiro Episódio que faz jus a este. A história “não importa” quando temos uma produção dirigida com uma maturidade incrível aonde cada detalhe, cada vazio é pensado e planejado de uma forma inteligente.

Os valores de produção podem não ser os melhores [Eureka Seven AO e possivelmente Hyouka parecem ser os campeões aqui] mas mesmo a animação é manejada de forma competente pelo novato estúdio [com o trabalho mais braçal cortesia do Tezuka Productions]; no geral, traço bem-feito com as restrições de movimento típicas das obras para TV – mas quando chega a hora da verdade, tudo é detalhista e sublime. O mesmo pode ser dito para a trilha sonora de Yoko Kanno – há mais silêncios do que o esperado por muitos, mas é eficiente em entregar o sentimento certo na hora certa.

Pode ser – e é – cult demais para muitos, mas a sobriedade e eficiência demonstradas aqui mostram o porque Watanabe é considerado um dos melhores diretores de anime de todos os tempos. Desde já forte candidato a anime do ano, particularmente pela rara consistência. Assista.

Alto: Direção caprichada, cuidadosa e segura; cena do solo de bateria já é um clássico.
Baixo: Abertura e encerramento apenas medianos.

Saint Seiya Omega
Nota: 68/100

Ao mesmo tempo o mesmo Cavaleiros do Zodíaco de sempre e um anime pensado na geração atual.

Primeira obra da franquia feita para a TV japonesa em vinte anos, uma equipe em grande parte novata na qual o character design do experiente Yoshihiko Umakoshi [DoReMi, Casshern Sins, HeartCatch PreCure!] acabou sendo o destaque com um design diferente, moderno e muito bonito [mas polêmico por justamente fugir do padrão]; e tecnicamente a série é muito boa para o baixo orçamento que tem, da paleta de cores viva às cenas de ação estilizadas presentes aqui.

E se visualmente houve um desbunde, a série em si acabou sendo simplesmente mediana. Típico episódio de apresentação do personagem protagonista recheado de referências para os fãs nostálgicos e imerso no monomito, na Jornada do Herói que para algo tão esperado [erroneamente, diga-se de passagem] no fandom brasileiro ficou no básico.

Claro que é uma série planejada, mas a ausência de camadas de informação e a baixa densidade de informações presentes aqui só mostram que no geral acaba sendo mais uma série feita no ponto automático para vender brinquedos – e nada mais do que isso. Divertido para o público-alvo, entediante para muitos outros.

Faltou a competência de um FullMetal Alchemist: Brotherhood ou o charme de um Ao no Exorcist. Acontece, e é uma pena.

Alto: Parte técnica bem-feita e algo criativa.
Baixo: Excesso de exposição, das explicações às “referências”.

Shirokuma Cafe
Nota: 70/100

Um anime leve, divertido e ao mesmo tempo sagaz para toda a família.

Panda, seu jovem adulto preguiçoso como um… panda, vive com sua mãe e em vez de trabalhar fica simplesmente fazendo nada o dia todo. Para evitar o terrível castigo de ser “aspirado”, decide ouvir os conselhos da mãe e sair em busca de emprego – e é quando encontra em uma de suas, erm, andanças o Café do Urso Polar que dá nome a obra.

Comédia tão leve quanto com certos toques de esquisitice, Shirokuma Cafe acaba sendo uma mistura exótica de animais falantes, clima tranquilo e relaxante e piadas se no geral são diretas, acabam tendo camadas e um certo quê irônico na medida para os adultos também poderem apreciar [muitas das crianças já compraram a ideia pelos personagens fofos] esta peculiar adaptação de manga animado com muitos resquícios de Flash [mas o traço é tão bonito de uma forma simples que não tem como não perdoar] que pode sim ser uma agradável surpresa a quem estiver disposto por algo diferente – e desde já, prepare-se, porque serão ao menos 50 episódios aqui. Será que há piadas para tanto?

Alto: Comédia tão leve quanto engraçada.
Baixo: Sensação de esticado para chegar aos 24min de duração.

Tsuritama
Nota: 78/100

Seu slice-of-life nada convencional aonde quatro garotos uma hora terão que salvar o mundo.

Sim, na quinta obra seguida de Kenji Nakamura [sim, Bakeneko conta] para o bloco noitaminA este continua tão excêntrico e afiado visualmente como antes, mas parece estar só um pouco mais contido ao contar a história de um estudante transferido que encontra um estudante hiperativo que irá mudar a sua vida e… mas aqui não é Sakamichi no Apollon e tanto a história passa-se nos dias de hoje como o hiperativo é muito hiperativo [e ao menos diz ser um extraterrestre] como tudo é colorido como não se vê desde HeartCatch PreCure! [ou Kuuchuu Buranko, para ficarmos em Nakamura].

Em mais um contraste com seu companheiro de bloco, Tsuritama acaba não sendo executado de forma sutil e sublime [tendo até certos momentos chatos] mas consegue cativar em seu clima leve e divertido que insere o espectador aos dois personagens principais ao mesmo tempo que vai pincelando aqui e ali o mundo colorido aonde estes vivem [e no qual estão presentes dois outros personagens que ainda vão dar o que falar].

Tudo muito feliz [até intencionalmente] nesta estreia promissora em que tudo pode acontecer, até um grupo de quatro amigos saídos de Kimi to Boku. [tá, não] salvarem o mundo.

Alto: Estiloso e esquisito da maneira certa.
Baixo: Irregular.

Uchuu Kyoudai
Nota: 80/100

Uma história poderosa que conta o singelo sonho de dois irmãos de um dia irem ao espaço.

Poderosa, mas leve. Afinal o nosso protagonista, o trintão Mutto Nanba, em um episódio provou ser em muitos aspectos parecido com [Wild] Tiger: divertido e tridimensional, profundamente humano. E ao perder por besteira seu cargo de projetista de automóveis acaba sendo forçado a voltar para a casa dos pais e nisto, reflete sobre sua vida.

E aqui a direção, que desde o Primeiro Minuto soube muito bem passar para a telinha a ótima história de vida deste e seu irmão, Hibito [que prodígio ou não sempre esteve a sua frente] que desemboca na decisão deste [claro, com um empurrão de sua outra metade] de reviver o sonho esquecido há muito tempo: ir para o espaço.

Sonhos, suor [e um pouco de] sangue [sentido figurado, claro]: uma história clássica ao melhor estilo shounen aonde veremos o protagonista superar inúmeros obstáculos rumo ao seu sonho – se ele diz que a frente do irmão, todos sabemos que na verdade é ao lado. Mas com aquele toque de certo realismo e drama na medida para ser o sucessor espiritual de Chihayafuru nos corações de muitos.

Muito bom: apesar de deixar a impressão que sim, o material podia ser ainda melhor trabalhado. Pena que deve passar batido por muitos por conta da temática, o que é uma pena.

Alto: Roteiro poderoso e com camadas sem deixar de ser leve.
Baixo: Leves tropeços na animação e direção.

Upotte!
Nota: 37/100

Em uma conceituada escola japonesa, garotas que são armas tem um trei- garotas que são armas?

Sim, garotas que são armas. M-16-chan e AK-47-tan estão no elenco de mais uma série com a cara do estúdio XEBEC – character design “gordinho” na medida para o fanservice, valores de produção medianos e saias pequeníssimas para as garotas, garotas e garotas que fazem do elenco desta dose de 23min40s semanais de tédio.

As garotas [que representam países, tendência que vem forte dado Infinite Stratos e Strike Witches] são todas fofinhas e com aquelas personalidades genéricas de sempre na medida para se apaixonarem pelo espectador professor que é introduzido neste Primeiro Episódio.

Tem quem goste, mas é algo que já foi inúmeras outras vezes de forma melhor e com ao menos um pingo de criatividade; e o fato desta série tentar diferenciar-se com uma premissa bizarra é só uma constatação de como tudo acaba sendo tão cretino. Evite.

Alto: Protagonista não-banana.
Baixo: Proposta bizarra.

Yurumates 3dei
Nota: 37/100

Três minutos de piadas sem qualquer criatividade e arte horrenda que não geram qualquer risada da parte do espectador. Claro, podia ser pior e ofendê-lo, mas veja o OVA – que é ao menos tem a decência de ser mediano.

Alto: A animação dos mecha na abertura.
Baixo: Uma comédia que nem ao menos faz o espectador esboçar um sorriso.

ZETMAN
Nota: 71/100

Uma das grandes apostas de muitos para Abril/2012 acabou pecando em um pequeno detalhe da produção: querer adaptar um manga de mais de quinze volumes em somente 1-cour [~13 episódios].

Osamu Nabeshima e a equipe do TMS Entertainment [ambos envolvidos com Saint Seiya: The Lost Canvas] acabaram espremendo mais de um volume em vinte e dois minutos de episódio que, bem-dirigido, soube dar importância aos eventos importantes [mesmo o grande SPOILER aqui acaba impactando de alguma forma o espectador] mas não deixou de soar clichê e corrido.

Assim, este anime que contorna um orçamento mediano em uma animação bastante focada nas lutas [portanto, nos demais momentos travada] feitas com movimentos de câmera tão estilosos quanto estranhos acaba aparentemente seguindo [de maneira marginalmente superior] a trilha de um Deadman Wonderland: história com potencial que é vítima dos bastidores e acaba sendo somente uma diversão incrivelmente mediana – e popular.

É legal, mas tinha potencial para ser muito mais.

Alto: Agradável de assistir.
Baixo: ZETRAP.

4 Comentários

Arquivado em Primeiro Episódio, Reviews

4 Respostas para “Abril/2012: Primeiro Episódio, Parte 2

  1. Pingback: Abril/2012: Primeiro Episódio, Parte 1 [ATUALIZADO] | Nahel Argama

  2. Tirando Upotte! que droppei nos primeiros minutos,e Yurumates 3dei que não assisti, até que não achei as estreias tão ruins (lógico que tem uns bem medianos nessa lista). Três dos títulos acima se saíram muito bem (Sakamichi no Apollon, Space Brothers e Tsuritama). Os outros não me conquistaram no primeiro episódio.

  3. Ton

    cara veih.. upotte é bom , mto divertido

    mais bizarro q ele só nazo no kanojo… nao tenho mais coragem de ver akilo putz

  4. Concordo. Upotte é maluco, vale as risadas

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