Fate/zero 23: O Mar na Borda do Mundo

Fate/zero 22: Todo O Mal No Mundo

Sim, o fim de uma longa jornada. E a primeira badalada para o final da série.

Gilgamesh vs. Rider

Mas antes disso, vamos tratar de Saber vs. Berseker: neste episódio repleto de ação – como iremos falar mais a seguir – primeiramente temos um embate entre a espada da elegante Sabre e a arma do monstro raivoso; após algum tempo desse embate de seres sobre-humanos [uma característica dessas lutas é mostrar até de forma mais clara o pequeno toque de battle shounen que a torna atrativa para muitos] nossa heroína desconfia que seu oponente na verdade é algum conhecido de sua vida passada. Mas ela jamais poderia imaginar o terrível segredo de Berseker.

Sim, na verdade este é Lancelot – como qualquer pessoa que tenha ouvido falar por cima da lenda arturiana sabe, este era o mais valoroso guerreiro do rei – e também aquele que foi acusado de lhe trair. Assim, nesta versão da lenda de Artur e Lancelote, este acaba sendo o contraponto a ideia de Saber de ser um rei cujo principal valor seja uma postura correta, enfim, que seja o exemplo para os demais.

Este ponto, já martelado algumas vezes durante a série, acaba sendo trazido de novo a tona da forma mais cruel possível a nossa protagonista, que agora terá que encontrar uma maneira de sair desta situação, pessoalmente a pior vivida por esta até aqui. Mas, claro, isto é assunto para o próximo episódio.

Hora de ir para o que realmente interessa; e o confronto entre o enfraquecido Rider e o magnânimo Gilgamesh é óbvio, terrivelmente óbvio, mas mesmo assim consegue ser um espetáculo visual coordenado com um timing incrivelmente preciso – e aqui o fato de todos, especialmente o diretor Ei Aoki, entenderem a diferença entre seu battle shounen comum e a obra pomposa [e sim, ame-ou-odeie] do TYPE-MOON faz toda a diferença.

Tudo é calculado, as pausas são perceptíveis, e sim, fica muito claro que estamos assistindo ficção. Esses personagens não existem, são meramente construções planejadas pela dupla Gen Urobuchi e Kinoko Nasu, mas conseguem passar aqui uma sensação única. Rider, o personagem mais carismático em toda a obra, vai de encontro, em cima da ponte que divide Fuyuki City – como todas as cidades de anime e muitas no Japão real – ao Oceano, a linha traçada adiante pela qual a longa aventura vivida por Iskandar ganha significado para este.

Isso curiosamente lembra a jornada de AIR, que pensando por fora vale sim a comparação – o importante é viver intensamente, por que o final sempre estará ali, tendo aproveitado ou não a vida. E o final de Rider vem na hora em que este, gigante, musculoso e com voz profunda, mas ainda assim humano, encontra o personagem mais próximo de encarnar um deus nesta parte do Nasu-verso: Gilgamesh.

Sem ao menos suar um pouco, este simplesmente invoca Enuma Elish, a espada com a magia que tudo destroi. Até o sonho de Rider. Sim, este é o oponente digno de ter o combate final com nossa heroína – até por sua personalidade ser simplesmente o completo oposto da jovem rainha da Inglaterra. Absolutamente ególatra, consegue inclusive ser um vilão mais eficiente que Kirei; pena ter aparecido tão pouco durante a série.

Mas este episódio não é sobre Gilgamesh, que simplesmente mostra como seu poder é assombroso, e sim sobre o fim da jornada de Rider. E a beira de morte, chega a hora da verdadeira despedida deste com o jovem Waver. E esta é emocionante, com ainda mais um passo da profunda amizade entre os dois ganhando forma quando Waver torna-se não o Mestre de Iskandar, mas sim mais um de sua extensa legião de seguidores. Saudades, Rider, você foi realmente o melhor personagem desta série. E mesmo Fate sendo, como dito diversas vezes ao longo dessas semanas, uma série de tom frio, provável que as lágrimas de alguns tenham caído neste momento.

Rider se foi, portanto é hora de Gilgamesh fazer seu discurso. Primeiramente reconhece o valor do Rei dos Conquistadores, dizendo – claro, com sua soberba característica – que como bom anfitrião [afinal, o mundo é seu] sempre estará pronto para recebê-lo de novo, da melhor forma possível.

Depois dirige-se a Waver – uma das poucas pessoas que, mesmo tendo sua vida profundamente mudada ao longo deste vinte e poucos episódios, conseguiu ao menos escapar vivo desta verdadeira carnificina que é Fate/zero – para perguntar se afinal era o Mestre do servo recém-morto. E obtém a melhor resposta do mundo. Outro belo diálogo neste episódio e o garoto declara-se servo de Rider, alguém cuja fidelidade é reconhecida até mesmo pelo frio Rei dos Reis. E chorando no meio da ponte termina sua participação em Fate/zero – e sim, ele não aparece em Fate/stay night.

Episódio intenso, com orçamento alto – portanto, cenas de ação magníficas dignas de um dos últimos episódios da série – e música presente mas contida para deixar os diálogos falarem mais alto, tanto o enredo apenas mediano levantado por Saber e Berseker quanto a fenomenal despedida de Rider, digna do melhor personagem da série. Saudades, mas a série não para – e com um discurso de Kirei temos o fim de mais um episódio. Kirei x Kiritsugu, Saber x Berseker, Gilgamesh tomando seu vinho e o corpo de Irisviel pronto para ser oferecido em prol de um bem maior. Continua…

03:55:50

Fate/zero 24: A Última Magia de Comando

4 Comentários

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4 Respostas para “Fate/zero 23: O Mar na Borda do Mundo

  1. Pingback: Fate/zero 22: Todo O Mal No Mundo | Nahel Argama

  2. Robson

    É de se esperar que a Saber e o Gilgamesh tenham alguma luta no final, pois no primeiro episódio de Fate/Stay Night, em sua primeira cena, faz-se um flashback da luta entre os dois servos mais poderosos, mas acredito que o Kiritsugu não a deixará ir até o final, fazendo com que Saber destrua o Graal. Então, talvez a batalha entre Saber e Berseker seja o último grande confronto entre os servos.

  3. hajimee

    Ótimo episódio, ao nível dos 2 melhores personagens da série pra mim, Rider e Waver. A relação entre eles, o crescimento do Waver, e o Rider em si, são simplesmente sensacionais. Sinceramente, não chorei na cena de despedida e do último diálogo entre eles por pouco, foi mais uma cena muito boa. Como não li a Novel, não sabia que o Berserk era o Lancelot, achei uma ótima ideia, quero ver como vai ser desenvolvida. E só mais 2-3 episódios, muito triste isso também

  4. esse final ta sendo muito bem construído, com calma, misturando momentos tensos com momentos mais calmos, bonitos, ou de desenvolvimento [berserker foi ser desenvolvido só agora…]…. vai ser foda.

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