HUNTERxHUNTER (2011)

Depois de 12 anos da estreia do primeiro anime, HUNTERxHUNTER ganha um remake com uma animação mais atual, um character design mais fino e moderno e uma abordagem mais dinâmica se comparada ao anime de 1999. Mas, afinal, essa nova animação faz jus à obra original de Togashi, amada por tantos – inclusive por mim?  

HUNTERxHUNTER (2011) (que conta a história de Gon, menino que almeja ser um Hunter, seguindo o caminho de seu pai) desde seu primeiro episódio já mostra o que pretende: adaptar o mangá para um público mais infantil, algo similar a Toriko – apesar de, felizmente, não chegar a esse ponto. Sofre censuras perceptíveis, como pouquíssimas cenas de lutas com sangue. Nada muito importante, mas que acaba por tirar o sentimento de perigo e emoção que essa história pode trazer. A necessidade de deixar essa história mais infantil do que já é foi um dos pontos que estragaram o potencial que o anime tinha de ser algo a mais para quem já conhece o mangá.

Minha relação com o quadrinho de Togashi é de amor e ódio. Ao mesmo tempo que as sagas são bem construídas, fiéis ao universo e com uma engenhosidade típica do mangaká, falta uma costura de acontecimentos maior, como acontece com o vasto universo de One Piece, e personagens que sejam menos personagens e mais humanos.  Consequentemente, o anime enfrenta e enfrentará esses problemas. Mais à frente essa realidade do mangá muda, mas isso demora. Mais do que deveria.

Quanto ao anime, sua narração acaba se alongando onde não deveria, se preocupando em lapidar o enredo bruto do mangá. O problema é que nesse processo acabam por deixar o enredo (ainda mais) bobo, com momentos tensos que não causam tensão, momentos de drama que não emocionam. É um Battle Shonen que tem de tudo para ser completo, mas que falha na execução.

A fase abordada até o momento, nestes 37 episódios exibidos, não ajuda nessa avaliação. É engenhosa e bem-planejada, mas perde muito tempo com futilidades e com desenvolvimentos que poderiam ser feitos de uma forma mais interligada e menos artificial. Todos os personagens apresentados até aqui – como já dito – não têm uma motivação que fuja do comum. Não há desenvolvimento emocional, são todos arquétipos que já vimos anteriormente, impedindo que você se apegue a eles. Querendo ou não, um Fairy Tail tem pelo menos carisma – o que deveria ser esperado da mesma pessoa que criou um dos times mais carismáticos de battle shounen já feito, o Time Urameshi.

E se os personagens não chamam atenção, as lutas e situações chamam menos ainda. São refeituras do que vimos em Yu Yu Hakusho, mas menos intensas e mais infantilizadas. Não prendem, não são inteligentes, não são divertidas. O que mantém alguns do fandom assistindo é a esperança de que melhore na saga do Leilão de Yorkshin, que está prestes a começar. Deve acontecer, mas esse tratamento que o anime anda recebendo tirará a alma e o feeling ímpar dessa que é a segunda melhor saga de HUNTERxHUNTER.

Quanto à animação e à escolha de cores, o ponto mais positivo é o character design, mais fiel ao desenho do Togashi e que flui melhor nas cenas. Já a paleta de cores pode muito bem funcionar no Exame Hunter, mas o exagero nos tons claros e chamativos já é percebido em Torre Celestial. E, como HxH fica cada vez menos infantil com o passar dos acontecimentos, essa diferença será sentida com o tempo, principalmente nos eventos pós-anime de ’99.

Piorando no sentido de narrativa e abordagem da história do mangá, HUNTERxHUNTER 2011 só é uma boa pedida para aqueles que querem ter um anime despretensioso ao extremo para relaxar de vez em quando. Falha como adaptação e como obra isolada, não passando do mediano. Mesmo com um ritmo muito mais lento, a animação de 1999 tinha personalidade e singularidade, coisa que a de 2011 deverá batalhar para conseguir.

O Bom: Moderno; Dinâmico; Despretensioso.
O Ruim: Sem carisma; Lutas poderiam ser melhores; Personagens rasos; Moderno até demais.

11 Comentários

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11 Respostas para “HUNTERxHUNTER (2011)

  1. concordo com essa frase: “Minha relação com o quadrinho de Togashi é de amor e ódio.”😄 isso pq Togashi decepciona com o final de alguns arcos, mas não acho q os personagens sejam pouco humanos. na verdade acho o mangá bastante é pé no chão, as coisas não são resolvidas com um poder saído do kú (Fairy Tail estou falando de vc), ou com uma raça alienígena/familia/poderes selados q ele desconhecia q dá poderes do nada, os personagens principais são fracos e tem q aprender na porrada a Sobreviver, usando mais inteligência do q golpes. msm em personagens q aparecem em um só arco dá pra sentir a característica de cada um.
    Hunter x Hunter é melhor q YuYu, verdade seja dita, tudo é mais refinado, os personagens, as lutas, as provas, os poderes, é bem mais feito, mais organizado, mais interessante(vejo isso como própria evolução do autor, ñ desmerecendo YuYu, ele só veio antes).
    O q vc falou não faz sentido! o q mais chama atenção na obra são as situações, onde tudo é resolvido de forma inteligente e inesperada, essa é a alma da História, não lutas com super poderes(apesar da existência deles)!
    a única coisa q posso concordar com esse texto é q os cortes da censura tiraram muita da tensão das cenas e sobre a paleta de cores q começa a incomodar. Isso pq a única luta msm, de porradas e tudo o tal, q nem um DBZ da vida é a do Hisoka Vs Gon, q foi simplesmente fantastico na animação, as outras eram mais estratégias, inteligência, coisa dificil de encontrar nos battle shonens de hj.
    Vc pode colocar o anime como despretensioso, e ele é mesmo no começo, assim como One Piece. É uma jornada q vai crescendo aos poucos, mais q vai criando situações q vão aumentando a importância dos personagens. Me pergunto se colocaste como pouco humano por não falar de jazz… (pq virou modo dizer q Sakamichi foi o melhor anime do ano, não q não tenha sido, mas as propostas são diferentes!!!)
    Agora o grande erro do post foi: os personagens não têm carisma, não são humanos! sério? como não gostar da ingenuidade perigosa do Gon? como não gostar da ‘fodeza’ do Killua, do jeito sem noção e esquentada do Leorio, do conflito de ódio do Kurapika? se perceber, vc falar mal desse grupo está falando mal do Time Urameshi q tanto exaltou. Claro q aqueles q acompanhamos por um tempo maior(Gon e Killua)tem um desenvolvimento mais profundo e complexo q alguns q aparecem par preencher espaço nos 1°s arcos.
    eu não consigo imaginar alguem q disse q gosta da série dizer isso: “os personagens não chamam atenção, as lutas e situações chamam menos ainda. São refeituras do que vimos em Yu Yu Hakusho, mas menos intensas e mais infantilizadas. Não prendem, não são inteligentes, não são divertidas.” parece mais algum hater da série q quis ñ quis se assumir pras pessoas ñ ignorarem o texto.

    • lmalafaia

      Concordo com você nessa de Gon e Killua se desenvolverem, mas acontece muito à frente. Comentei os 37 primeiros episódios, e até agora nada de relevante no sentido de desenvolvimento. Sim, Killua teve seu arco com a família, mas na minha opinião aquilo não acresceu em nada a Killua como personagem, foi só um gancho para o que vem depois. E sério que não curte os finais de arco? Acho que ele conclui muito bem sempre!

      Quanto a YYH, concordo que é inferior a Hunter. Só não é inferior na questão de carisma. Ao mesmo tempo que o Time Urameshi tem motivações clichês, ele tem um carisma sem igual. São personagens facilmente identificáveis. Já Hunter tem amontoados de características de protagonistas formando personagens sem alma, carisma.

      E não sou hater de HxH!😄 Amo esse mangá, amo o que vem depois do resenhado nesse post, mas tive que criticar o anime 2011 e o início que acho que poderia – e deveria – ser melhor. E quando disse que as situações são ruins, digo do apresentado até o momento no anime. Gosto de Yorkshin, de GI, de CA, e muito. São engenhosos ao extremo. Resta esperar e ver como serão representados no anime.

    • Guida

      Acho q diferente de vcs aki no post, eu ate agora so vi hunter 2011, entao posso fala q pra um shounen hunter ta bom, animaçao otima enredo simples(o q pra um shounen e providencial) e personagens carismaticos.Assim como one piece e fairy tail, hunterxhunter é um anime facil de se entender, n e necessario pensar mto pra assisti-lo o q condiz com o genero.
      Em comparaçao com YYH acho q n a comparaçao entre eles pois sao historias totalmente diferentes, tem carismas diferentes.
      Enfim acho q ambas sao grandes obras e se n pesquisasse q era do msm autor eu nunca desconfiaria q YYH e HUNTER foram feitos pelo msm cara

  2. oberdanorris

    Um texto de HxH sem comentar sobre a dublagem, inimaginável.
    A parte boa desse novo HxH é por ser mais enxuto. É a única que até agora percebi.
    Ainda prefiro o antigo, não sei se por algum sentimento nostálgico, terei que rever para tirar as conclusões.

  3. Nekomimi

    É uma pena que há aqueles que pensam que animes são só battle shounen, não há variação. Nas décadas de 1980 e 1990, havia mais variedade de temáticas e enredos do que hoje. Quando não é shounen de luta, é moe ou yaoi. Como lamenta o Lancaster do Maximum Cosmo.
    Mudando de assunto, terminei de ver todos os episódios da série Nazo no Kanojo X (até o último episódio), e posso dizer, sem sombra de dúvida, que valeu a pena assistir a série completa, cada episódio, cada minuto, cada segundo da série.
    Apesar de extravagante ou bizarra, a série conquistou o meu respeito. Mesmo só tendo 13 episódios, é uma série com conteúdo e enredo bem conduzido. Diferente de muitos animes que passam atualmente no Japão. Por mim, Nazo no Kanojo X já pode ser considerada a série do ano (até porque, duvido muito que apareça até o final de 2012 outra série que rivalize com esta).
    Só certos moezeiros obesos e fissurados em garotas bonitinhas e fofinhas e aqueles que queriam ver cenas de sexo é que não gostaram da série.
    Já os que preferem enredo, conteúdo e boas histórias é que gostaram da série, até mesmo quem não é “otaku”, no sentido atual do termo.
    É por isso que uma série só pode ser bem avaliada depois que se assiste a todos os episódios, do começo, meio e fim. Só depois de a série ter se encerrado é que pode-se tirar conclusões profundas e definitivas a respeito. Sem erros de julgamento e sem conclusões superficiais e rasas.

    • “Quando não é shounen de luta, é moe ou yaoi. Como lamenta o Lancaster do Maximum Cosmo.”
      “Só certos moezeiros obesos e fissurados em garotas bonitinhas e fofinhas e aqueles que queriam ver cenas de sexo é que não gostaram da série.”
      Você precisa prestar mais atenção nas coisas…

  4. Se você acha que hoje só sai shounen de luta/moe/yaoi, então é porque está faltando um pouco de informação. A menos que você considere qualquer anime em que dois personagens masculinos façam algum tipo de contato físico yaoi, não me lembro de nada do gênero saindo esse ano pra TV…
    A mesma coisa para Nazo no Kanojo X. Não foram só os otakus que dropparam a série, e também não foi apenas pelos motivos estéticos.

    • Nekomimi

      Este ano, pode ser que não tenha saído nenhum anime yaoi, mas nos anos anteriores, sim. Eu não disse que este ano saiu algo do gênero, se você ler com atenção o texto. Eu apenas me referi aos animes da década passada e do ano passado, também.
      Eu entendo que você goste de yaoi, e que se sinta ofendida pelo meu comentário a respeito. Mas eu não falei mal do yaoi, veja bem. Eu só quis dizer que o atual cenário dos animes para a TV está tão limitado, não só por causa de ter apenas yaoi, mas também por causa de ter apenas moe ou shounen de luta. Se você ver uma lista de animes que foram exibidos e lançados na TV, cinema e vídeo nas décadas de 1980 e 1990, verá que havia mais variedade de gêneros, que iam desde ficção científica, drama, comédia, romance (e sua variante conhecida como romance-comédia), esportes (boxe, beisebol, basquete, vôlei, etc.), magical girls, sobrenatural, suspense, guerra, terror, culinária (lembro de uma série chamada Cooking Papa, que tinha até receitas nas histórias), policial, até wrestling e musicais (certa vez eu vi um OVA em que os personagens principais eram da banda de heavy metal japonês Seikima-II. Chamava-se “Seikima II Humane Society – Jinruiai ni Michita Shakai”. Quem achar na internet para baixar ou assistir em streaming, faça-o: vale a pena ver. ).
      Quanto a Nazo no Kanojo X, devo informar que a série agradou a muitros fãs de animes, não só otakus. É só dar uma olhada em sites como o Sankaku Complex, entre outros na web fora do Brasil.
      E continuo a afirmar o que eu disse anteriormente sobre a série, que já ganhou o título de “série do ano”, na minha opinião.
      Sei que você prefere coisas tipo yaoi ou com muitos rapazes na história, cada um com seu gosto. Então, fique com seus rapazes bonitos / bishounen (como os da série do Togashi aí em cima).

  5. Likou

    discordo ao dizer q as lutas não tem emoção. Os últimos episódios tiveram uma animação espetacular e gostei bastante, e olha q nem sou um grande fã de Hunter.
    E o anime eu consegui ver, já o mangá me passava uma sensação de tédio constante. Já o ponto das cores vivas, não vi problema até agora, e se for ficar mais sinistro, nada impede do anime ter uma leve mudança nesse sentido, então não vejo como avaliar já agora algo q ainda nem foi mostrado.

  6. Escritora

    Não tive nenhum interesse em assistir a esta nova versão de “HunterXHunter”, até porque tô assistindo a antiga e em versão dublada, se querem saber. Já ouvi os comentários de que de um lado, o remake tem seus charmes e por outro, tem sido criticada pelos rumos e a pressa que o estúdio impôs na animação: não posso opinar algo que não vi, mas, quem gosta curte e quem não gosta, respeita a opinião da pessoa.
    Portanto, a única coisa que vale a pena é conferir um dos ícones da Shounen Jump em uma nova animação, com um traço mais fiel ao Togashi e que chegue ao único arco ainda não animado: a das Formigas Quimera, pois as demais já foram retratadas na versão antiga.

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