Hikounin Sentai Akibaranger

Quem diria que a toda poderosa Toei faria um Super Sentai alternativo, em tom de paródia. E quem diria que esta comédia seria tão boa, a ponto de talvez ser melhor que os originais…

Unofficial Sentai Akibaranger é um tokusatsu [drama baseado em efeitos especiais, como Jaspion, Power Rangers e muitos outros] da franquia conhecida como Super Sentai [Super Esquadrão, os originais japoneses que desde 1975 salvam o mundo vestindo lycra – e que são mais conhecidos por aqui por serem a base dos Power Rangers] – porém, ao contrário das obras que passam todo Domingo de manhã às 7h30min na TV Asahi, ele não é voltado para garotos pré-escolares ávidos por um heroi para chamar de seu [e gastar os tubos nos brinquedos oficiais especialmente desenvolvidos pela BANDAI, que ajuda a pagar a conta].

O foco de Akibaranger é nos otaku, nos maiores de vinte anos que ainda hoje curtem assistir um esquadrão de pessoas vestidas de lycra salvarem o mundo das forças do mal – que claro, são monstros igualmente compostos de pessoas vestindo maquiagem, roupas e trajes que cobrem o corpo inteiro. E em uma época aonde parecemos tão saturados de construção, do clássico, do cânone ao ponto da palavra desconstrução ter um viés positivo, por que não fazer um toku aonde as estrelas são otakus?

Conceito bacana que na teoria poderia ser simplesmente mal-trabalhado e terminar como um anime de Primeiro Episódio engraçadinho que vai perdendo seu poder a cada diluída e repetição adicional, Akibaranger tem seu grande trunfo em saber muito bem expandi-lo o máximo possível ao longo dos 12+1 episódios que possui – sim, a equipe comandada pelos veteranos escritor Naruhisa Arakawa e diretor Ryuta Tasaki soube, apesar do excesso do clima excessivamente esquisito às vezes, produzir um verdadeiro clássico.

Arakawa e outros começam com a sinopse básica de três indivíduos [um otaku de Super Sentai, uma otaku de cosplay e uma otaku – que esconde a sua paixão – de anime] são escolhidos por uma linda cientista e se tornam o Esquadrão Não-Oficial Akibaranger e para proteger Akihabara de um poderoso grupo de vilões que existem em suas ilusões somente para depois fazer um plot twist. E outro. E outro.

Três plot twists que conseguem tornar uma série inicialmente episódica [sendo o ponto-chave disto o episódio cinco, aonde aparece a mãe da Amarelo] e escancaradamente cômica em algo incrivelmente amarrado em questão de roteiro e ainda assim escancaradamente cômico.
E que seja feita justiça: apesar da entrega das piadas às vezes não ser tão boa [fora o fato de ter muita coisa referencial, que sempre tem o defeito de ser acessível somente a quem tem conhecimento prévio do assunto], a variedade aqui é simplesmente excelente.

Das citadas referências a piadas físicas [como as caretas do protagonista], passando por situações nonsense e simples paródia de clichês a muito conhecidos, o cardápio aqui é farto – e em uma série de doze episódios é utilizado a ponto de nem mesmo termos atingido o ponto de saturação [o que ao menos aqui abre a possibilidade de uma boa Segunda Temporada]; claro que ao sair de um ponto de vista focado nos personagens para um focado mais no enredo fez com que o número de episódios caísse um pouco, mas no geral valeu a pena.

Essa transição, tão característica do gênero Super Sentai [que tem 50 episódios para entregar seu roteiro], acabou sendo entregue de uma forma na qual tivesse uma primeira metade focada nos personagens – simples, um pouco bidimensionais [até pelo exíguo tempo a disposição] mas sobretudo carismáticos – fosse também uma construção para o que viria a seguir. Perfeito nisso, e perfeito em também utilizar essa parte de enredo para focar justamente no aspecto indicado na sinopse: ser uma paródia de Sentai. Vamos manter este artigo sem SPOILER, mas o twist final simplesmente consegue resumir qual é o feeling que você deveria sentir ao assistir Akibaranger: não é uma história em si, é simplesmente televisão.

Se a escrita é boa, a direção consegue ser a altura. Só o fato da direção de atores [e em certa medida, a escolha do elenco] ter levado ao ponto certo da caricatura na medida excessivamente certa para ser galhofa da boa já mostra o que a série tem a oferecer – e especialmente o protagonista Nobuo AKAgi [sim, aka = vermelho] [interpretado por Masato Wada] e a amarelo Yumeria MOEgi [Karin Ogino] convencem em seus papeis [e a segunda fica uma graça na infinidade de cosplay que sua personagem veste durante a série; mérito dos maquiadores e estilistas da Toei, mas impressionante o physique du rolê da garota]. Hakase [Maaya Uchida] também está acima da média aqui e os demais, como a Akiba Blue Mitsuki AOyagi [Kyouko Hinami] e a vilã Malsheena [a ex-atriz pornô Honoka] fazem de forma competente o seu serviço.

Em uma série que tecnicamente é feita dentro do apertado orçamento da Toei – o que não deixa muitas opções para os diretores brincarem [e mesmo assim piadas visuais envolvendo inclusive aqueles anúncios que costumam passar no meio de uma obra estão presentes] – o grande destaque aqui é o feeling passado, em que temos aqui um competente tour de force – cada episódio constroi o terreno para o próximo, em uma crescente que terá um final plenamente satisfatório ao final das cinco horas de duração [sim, cada episódio possui algo longos vinte e seis minutos].

Trabalho quieto e feito nos detalhes, na edição e na inserção de pequenas piadas adicionais como a abertura e eyecatch modificados presentes no episódio onze, nos mini-segmentos do episódio treze ou no encerramento a la SDF Macross no qual memórias do passado são mostradas como fotos – contexto diferente, resultado igualmente efetivo.

Como também efetiva é a parte técnica – afinal, como deixar de falar dos efeitos especiais em um gênero conhecido justamente por isso? Como esperado da Toei, a marca aqui é ser eficiente e não ter qualidade alta nem atributos revolucionários. O fato de termos mulheres como suit actor é uma adição que deveria ser a regra e não a exceção; o robô gigante, Machine Itasha [baseado nos carros modificados cosmeticamente com temática de anime], é bem renderizado, mas o fato de aparecer tão pouco na série acaba tornando a tarefa na média. Em uma palavra: funciona.

Importante falar no Machine Itasha para lembrarmos que apesar de todo o foco em Akibaranger como o bom tokusatsu que é, vale também assisti-lo pelas constantes referências, do texto a detalhes no cenário, a cultura otaku como um todo. Dos cosplays de Moegi à ambientação na meca otaku, Akihabara, chamam a atenção dois fatores.

O primeiro é os poderes vierem da ilusão – além da brincadeira exposta no final da série, é um tapa com luva de pelica no fato dos próprios fãs se perderem no hobby que vira estilo de vida, até mesmo razão de viver. Só mesmo em Akibaranger para ganharem poderes especiais, salvar a Terra, etc. – e claro como boa série que pretende fazer sucesso, deixou isso apenas no início e no implícito.

Mais interessante para fãs de anime é a presença do anime fictício Z-Cune Aoi [com character design do diretor de Karas e TIGER&BUNNY, Keiichi Satou]. Comparável ao Hoshikuzu Witch Meruru de Ore no Imouto, é mais uma adorável representação daquela mistura explosiva de fofura com toques de lesbianismo que todos muitos adoram. E o fato de ser mostrado por uma perspectiva do fandom só enriquece esta referência.

Hikounin Sentai Akibaranger acaba indiretamente mostrando o ponto fraco que existe na indústria de tokusatsu atual: o fato de termos somente o Super Hero Time [Super Sentai mais Kamen Rider] como representantes regulares do gênero na TV japonesa mostra que ter este lado – claro, necessário, afinal as crianças de cinco anos precisam começar de um ponto no qual a formação seja importante – como único apoio do gênero é insustentável se ainda queremos uma sub-cultura tokusatsu.

Moderno, ágil [até por conta do número de episódios limitado] e mesmo para um público mais geral uma sólida série de TV, que consegue sair da paródia para também ser uma boa obra de acesso. Recomendado para qualquer fã de cultura pop japonesa [claro que é um gênero que não se encaixa em todos os gostos, e comédia é algo muito pessoal] este clássico instantâneo do gênero tokusatsu que fechou tão bem a ponto de uma Segunda Temporada tornar-se algo temerosa. Um desafio caso a Toei realmente queira fazê-la.

O Bom: Bela mistura de comédia e drama; ritmo alucinante; história envolvente; magnum opus do gênero desde já.
O Ruim: Episódio final de recap, comédia às vezes não engraçada e acessível.
O otaku do Ano: Nobuo Akagi

4 Comentários

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4 Respostas para “Hikounin Sentai Akibaranger

  1. Nekomimi

    Interessante. Eu havia lido sobre esse live-action em outro site brasileiro. Mudando de assunto, tenho que falar de algo desagradável, mas necessário, aqui .
    Sei que o que está escrito aqui não tem nada a ver com a matéria, mas é para chamar a atenção dos fãs de animes e mangás para uma coisa desagradável que está acontecendo na internet no exterior.
    Algum brasileiro, torcedor do Corinthians por sinal, postou mensagem alusiva à vitória do time em questão num site estrangeiro. não num site de futebol ou esportes, como poderiam pensar, mas no Sankaku Complex, um site sobre animes, mangás, games, hentais, matérias sobre japão, China, Coréia do Sul e coisas do tipo.
    Tudo bem postar sobre a vitória do seu time de coração num site ou blog relacionado a futebol ou esportes em geral, mas postar num site de animes, mangás, games e demais notícias relacionadas à cultura otaku, aí já é demais.
    E o fato não passou despercebido, gerando reações nada agradáveis entre os usuários e frequentadores do referido site, como podem ver no link abaixo:
    http://translate.google.com/translate?sl=auto&tl=pt&js=n&prev=_t&hl=en&ie=UTF-8&layout=2&eotf=1&u=http%3A%2F%2Fwww.sankakucomplex.com%2F2012%2F07%2F06%2Fpolice-bust-akb162%2F&act=url
    A imagem dos brasileiros no exterior, como podem ver, está ficando a cada dia pior por causa de uns poucos (eu quero crer que são poucos) que postam sobre coisas que não tem nada a ver com a linha e com a temática do site. Fica aqui o alerta.

  2. Cada vez o Nahel Argama se mostra meu blog manganimístico preferido. Ótimo post! Com perdão da comparação, o Nahel me parece um Maximum Cosmo mais jovem.

  3. Porra! Tão Moetificando tudo. Olha o disfarce da Ranger Amarela. BTW, pelo menos não errariam o gênero da personagem como acontecia no Power Rangers 1 se vier adaptado pro ocidente XP

  4. seixaokaura

    Vim parar aqui por causa do Mais de Oito Mil. Não conheço o blog, mas, esse texto me deixou não me agradou muito. Vou direto ao ponto: a resenha explica muito bem a série, mas o texto achei muito cansativo. Com frases longas demais, com parenteses a cada virgula, muitas citações para concluir uma idéia num mesmo parágrafo. Aconselho usar menos termos complexos e e interrupções nas frases para tornar o texto mais agradável de ler.
    Essa é uma crítica positiva. Não estou querendo denegrir o trabalho do blog.

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