Hotarubi no Mori e

Que aperitivo para você, sim você que ainda não assistiu qualquer episódio de Natsume Yuujinchou. E para os demais, nunca é demais mais uma adaptação certeira de um manga de Yuki Midorikawa.

Hotarubi no Mori e [algo como Para a Floresta de Luzes de Vagalume] é um one-shot de aproximadamente 45 páginas feito por Yuki Midorikawa em 2003 e compilado juntamente com outras histórias em um único volume que leva este nome. Após o retumbante sucesso de sua obra mais conhecida Natsume Yuujinchou, atualmente com sua animação já tendo incríveis quatro temporadas, os responsáveis por esta resolveram perguntar-se por que não animar outra obra da autora?

E assim a equipe liderada pelo renomado Takahiro Omori [Baccano!, Durarara!!] é a responsável por esta animação do estúdio Brain’s Base que em somente quarenta minutos [mais cinco de créditos] conta uma bela, singela e tocante história que flutua entre a amizade e o amor envolvendo inicialmente o que poderíamos considerar uma menina de seis anos e um youkai que já está ali há muito, muito tempo.

Não poderíamos começar a falar desta obra sem descrever o cenário básico no qual ela acontece: temos aqui que nossa protagonista, a menina Hotaru, vai visitar durante o verão seus tios em algum lugar muito pacato do Japão – e ao andar em uma floresta na montanha que fica perto da cidade citada esta encontra um misterioso ser mascarado. Aprendemos um pouco depois que seu nome é Gin [cinza, referência a cor de seu cabelo] e que este, não-humano, tem uma pequena maldição: caso seja tocado por algum humano, ele desaparece.

Claro que isto é o grande conflito que vai se estabelecendo enquanto os dois vivem divertidos verões juntos, simplesmente andando e conversando por aí na pacata área verde aonde a história se desenrola. Tudo é calmo e relaxante como manda o figurino: e aqui vemos uma das características que o misto do original com a bela adaptação acabaram por tornar dignas de saudade: o clima verdadeiramente bucólico presente aqui.

Se em Natsume Yuujinchou isto é apresentado lentamente em pequenas doses ao longo dos episódios, que lidam em geral também com outros temas humanos [mesmo com certa complexidade, os youkais aqui são basicamente seres inspirados na mitologia japonesa que servem de avatar para expor dramas costumeiramente bastante humanos], aqui temos esta calma interação presente como parte integrante do roteiro.

Talvez pela longa passagem de tempo em uma metragem tão curta disponível aqui, a sensação de que a amizade entre os dois foi algo forçada para caber nos minutos disponíveis acaba sendo o grande defeito do filme – mas a obra consegue captar perfeitamente o ambiente que levou aqueles dois solitários a terem longos dias de diversão à sombra [e luz] da floresta.

Porém aqui entra o outro ponto forte de uma obra de Midorikawa: o drama. Tocante sem ser exagerado, emocionante sem ser forçado, ele começa a aparecer a medida em que Hotaru vai crescendo e apaixonando-se [e não, não temos qualquer conotação assustadora aqui] por Gin. Mesmo ela não percebendo, fica óbvio que é uma situação plenamente insustentável, principalmente pelo fato da maldição presente neste.

E vamos parar por aqui, mas o clímax – algo óbvio, mas sem dúvida o melhor da obra, sendo magistralmente executado pelo diretor – resolve esta situação de forma tocante e te deixando com uma sensação profunda de que uma verdadeira fábula acabou de acontecer diante de seus olhos.

No fundo, é um coming-of-age [amadurecimento] da protagonista, mas a forma este elemento acontece é refrescante como a melancia que reparte com o tio em dado momento do filme.

Apesar de ter alguns momentos de real destaque [como o primeiro encontro entre os dois protagonistas e o clímax], a principal característica de Hotarubi no Mori e tratando-se de sua direção é como todo ele é sólido. O fato de cada cena ter algum sentido, significado para a obra em geral é o que dá verdadeiro charme a obra.

E sendo assim, a parte técnica, até razoavelmente simples para um filme, também serve como complemento aqui – claro que Makoto Yoshinari sempre é competente, mas seu trabalho não é decisivo para o divertimento aqui.

Enfim, uma resenha curta como a obra, plenamente recomendada para qualquer um, principalmente fãs de drama, fãs de Natsume Yuujinchou e eventuais indecisos ao assumir a longa jornada que é assistir os cinquenta e dois [até aqui] episódios da ótima e recomendada série de TV. E pode não parecer [especialmente para quem busca algo maior do que o mundo] mas o carisma destes personagens e a correta simplicidade de tudo mereceram o Mainichi Film Awards dado ao filme.

Quer uma segunda opinião? Pode conferi-la no Gyabbo! ou no Kotodama Reviews.

11 Comentários

Arquivado em Reviews

11 Respostas para “Hotarubi no Mori e

  1. Eu sou fã dela.
    Natsume é tão genial quanto Mushishi, que sem dúvida é uma das minhas obras favoritas.
    Já viu Only Yesterday? De alguma forma, a sua review me lembrou bastante esse filme lindo, lento, e inesquecível, mesmo que não contenha elementos sobrenaturais.
    Acho que foi a lembrança do abacaxi em família, na passagem em que você cita a melancia. É, deve ter sido isso, mas talvez não só isso. Enfim, bom post.

    • Só uma pergunta: não acha que seria uma boa pra L&PM, que tá estreando no mercado brasileiro, tentar algo mais longo, como Natsume, Mushishi, ou alguma obra com esse feeling? Não vejo muito disso por aqui e vejo um nicho legal a se explorar.
      Mas não vou reclamar se continuarem com Asano e Adachi, publicando Oyasumi Pun Pun ou Cross Game.

    • Em Only Yesterday a moça fica lembrando de quando era criança. E,é ,completamente,diferente. ^^
      Outra: por que as pessoas associam Natsume Yuujinchou à Mushishi? O feeling de ambos não é semelhante. Apesar de ainda envolver seres sobrenaturais.

  2. Pss

    Alguém pelo amor de Deus sabe dizer a uma pessoa que não entende lhufas de inglês E de japonês onde ela pode baixar esse filme?

    • Pss, eu super recomendo a Anbient, lá o movies e episódios são de muito boa qualidade.

      Eles perderam muito de seu acervo por conta da cassação dos direitos autorais e tals, mas aos poucos eles estão conseguindo se recuperar.

      Aqui tem o ova legendado em português e com uma qualidade que você consegue apreciar o cenário dessa obra na íntegra.

      http://www.anbient.net/filmes/hotarubi-no-mori-e

      Bjs!

  3. Pingback: Hotarubi no Mori e |

  4. Pingback: Editorial #00: Seis Meses, Resumo e BlogRoll | Nahel Argama

  5. castro9

    Hotarubi no Mori e é uma história suave mas com certo grau de profundidade. Onde não há uma trama complexa com vários personagens mas sim algo leve e bem construído que só possui dois personagens acima da média que recebem o foco e alguns que não comprometem e tem como função dar coesão ao filme que técnica não é nada fora do comum, e até digo que é o pior filme animado que vi mas que não influencia em nada a bela e utópica história presente pois diferente de outras tipos de histórias Hotarubi no Mori não necessita desse aspecto que fica como aceitável nada mais.

    • Sério que é o pior filme animado que já viu? Sério, só está assistindo coisa boa então, porque acho Hotarubi no Mori e bom – mas não tanto.

      • castro9

        É bem por isso mesmo e não sou de ver muitos filmes e os que vi foram bem feitos como os 7 filme de Kara no Kyokai, Redline, Colorful e Unlimited Blade Works

      • hmmmm

        não sei se foi isso que aconteceu mas quando digo que Hotarubi no Mori e é o pior filme animado me refiro a parte técnica não há a história e personagens pois nesse caso é um do melhores. Só dizendo caso tenha ocorrido esse mal entendido.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s