Primeiro Episódio: Kingdom

Infelizmente, um anime decente que não será assistido pelo motivo errado.

Kingdom é baseado em um manga em publicação na revista seinen Young JUMP [a mesma de Elfen Lied e Gantz] desde o começo de 2006 contando a história escrita e desenhada por Yasuhisa Hara na qual, no Período dos Reinos Combatentes chinês [475-221 antes de Cristo], seguiremos o sonho de um garoto, inicialmente escravo e de nome Ri Shin, em ser forte, forte o bastante para poder ser alguém nos grandes campos de batalha da época – e junto com o jovem Ei Sei [que ainda não apareceu na história] mudará, de um dos Sete Reinos existentes [Qin] a história destes conflitos.

E neste anime com alma de battle shounen [apesar de sua origem – que bem a verdade, deve ser um shounen embalado com violência e arte mais complexa – e do horário de exibição na TV japonesa], temos o primeiro e longo episódio [que faz os 3-cour previstos para a obra virarem 38 episódios] focado basicamente em mostrar as motivações do protagonista.

Temos basicamente uma série de eventos que mostram primeiramente a vida de Shin com seu irmão e companheiro de sofrimento e ambição Hyou, do qual acaba tendo que se separar dado uma oportunidade do segundo ir à corte para ser sósia oficial de Ei Sei; porém, este acaba sendo vítima da guerra pelo poder que acontece ali e consegue escapar com um fio de vida – que prova ser suficiente para aparecer na frente de seu irmão para lhe confiar o endereço de uma aldeia de bandidos aonde este poderá ter um papel mais ativo nos acontecimentos daqui para a frente. Mas isto é assunto para os próximos episódios.

O protagonista, apresentando primeiramente como forte para somente depois ser revestido com uma camada emocional vinda de uma tragédia – a bem da verdade, construída rapidamente demais, não dando tempo o suficiente para o espectador legitimamente se importar com aquilo; compare com o início de Ao no Exorcist, anime que consegue no mesmo período de tempo fechar esta questão inclusive com boa carga dramática. Hyou, o mais habilidoso entre os irmãos, morre, vítima da conspiração palaciana, e dá um belo motivo para Shin, o típico personagem feito na medida para podermos nos relacionar, querer ainda mais ter seu destaque no campo de batalha.

Além disso – e claro, alguma ação, principalmente na forma de lutas entre os bravos irmãos – também temos no roteiro a rebelião do jovem e cruel imperador Kyou Sei, que aparece por alguns minutos com toda a pose e cara de mau para provar quem é – ao menos por ora – o grande vilão a ser batido em Kingdom. Um moleque mimado e ao mesmo tempo frio que consegue de cara passar ódio – e não é isso que todos queremos ver?

Sim, a maior qualidade de Kingdom – e de muitos outros animes que caem no rótulo shounen – é ser simpático e carismático. Fácil de assistir e com um bom elenco de personagens que misturados à ação presente tornam-o uma bela pedida para os muitos fãs do gênero, atualmente mais órfãos do que nunca de animações bacanas. Em quase tudo, inclusive melhor ao amplamente popular Brave 10. Porém…

Temos que abrir um amplo parêntese para falarmos da qualidade de animação presente na obra; na verdade, temos pouquíssimo uso de animação tradicional por parte do Studio Pierrot em prol de baldes de CGI, tudo em busca de lutas mais movimentadas e traço em geral mais detalhado.

E sim, estes dois objetivos acabam sendo atingidos aqui, porém, ao contrário da animação tradicional, o padrão exigido para o CG soar minimamente natural, aceitável ao olho humano – principalmente nos dias de hoje e filmes da Pixar e DreamWorks com orçamentos na faixa das centenas de milhões de dólares – acaba sendo mais alto.

Assim sendo, uma produção como Kingdom, com custo até mais baixo que a média dos animes, soa simplesmente horrível, remetando a produções de cinco, dez anos atrás. É pior que a nova série de filmes de Berserk e deve sim afastar – infelizmente – muitos do anime. O que é uma pena, simplesmente por um motivo bobo como este – afinal, se já estamos acostumados a todos os cortes presentes na produção de um anime de ação, porque tentar algo assim?

Em resumo, uma série simpática que em cinquenta minutos cravados construiu o alicerce para uma história relativamente longa [afinal, temos mais trinta e sete episódios pela frente] que tem potencial de agradar mais pessoas do que realmente irá atingir. Assista e principalmente indique àquele seu amigo que procura algo outro Naruto ou outro One Piece passa assistir.

5 Comentários

Arquivado em Primeiro Episódio

5 Respostas para “Primeiro Episódio: Kingdom

  1. interessante, esse release eu deixei passar [baixando agora] … mas se os 38 episodios forem cumpridos, ótimo… a ultima coisa que eu quero agora é mais um Shonen infinito [mesmo que bom]

  2. hajimee

    é um ótimo anime, mas não sei se vou conseguir me acostumar com o gráfico, na hora que eu botei pra abrir o vídeo e vi aquilo, pensei que tivesse sido trollado, mas não, era o gráfico mesmo. A história é boa até, mas sério, se fossem sar CG que usassem um de boa qualidade… vou ver se me acostumo, senão vo acabar dropando

  3. Oba! Depois de Korra, vamos assistir mais um Avatar! Vlw Pierrot, ok, chega, aliás, Kingdom só não cairá em esquecimento como Brave 10, pelo simples fato de ter mais episódios. [falomermo] bora baixar.

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